Economia

Indicadores e notícias sobre a economia no Brasil e no mundo. Dados para posicionamento de empresários e dicas para gerir suas finanças pessoais.
  1. Segundo o aplicativo, a proibição é introduzida por razões políticas. O banimento entra em vigor a partir desse domingo (20). EUA proibirão downloads de TikTok e uso do WeChat a partir de domingo O popular aplicativo de compartilhamento de vídeo TikTok pediu a um juiz dos Estados Unidos que impeça o governo Trump de proibir a rede de mídia social chinesa, segundo documentos judiciais protocolados na noite de sexta-feira (18). China acusa EUA de atos de 'intimidação' por medidas contra Tiktok e WeChat Os fatores que levaram Trump a anunciar bloqueio de TikTok e WeChat nos EUA A TikTok e sua empresa controladora, ByteDance, entraram com uma queixa em um tribunal federal de Washington contestando as recentes medidas proibitivas do governo Trump. O Departamento de Comércio dos EUA anunciou sexta-feira (18) que a proibição para pessoas no país baixarem os aplicativos de mensagens WeChat e TikTok a partir de 20 de setembro. A proibição é introduzida por razões políticas, alegaram TikTok e ByteDance na reclamação. O TikTok também disse que a proibição viola os direitos da empresa. O presidente dos EUA, Donald Trump, que está envolvido numa disputa comercial de longa data com a China, emitiu uma ordem executiva em 6 de agosto proibindo transações nos EUA com os donos chineses dos aplicativos de mensagens WeChat e TikTok. Tanto a ByteDance quanto a TikTok estão buscando um julgamento "declaratório" e uma ordem "invalidando e proibindo preliminarmente e permanentemente as Proibições e a ordem de 6 de agosto", de acordo com a reclamação. A Casa Branca não respondeu imediatamente quando a Reuters a contatou para comentar o assunto na manhã deste sábado. A TikTok, que tem mais de 100 milhões de usuários nos Estados Unidos, disse que a proibição "destruiria irreversivelmente os negócios da TikTok nos EUA". Vídeos: Tecnologia
  2. Programa vai mostrar a animação dos agricultores do Paraná na hora do plantio da nova safra e mais notícias do campo. Veja os destaques do Globo Rural deste domingo (20) O Globo Rural deste domingo (20) vai mostrar a animação dos agricultores do Paraná na hora do plantio da nova safra. E com uma novidade: gente que já está fechando negócios com a soja que só vai ser colhida em 2022. Assista a todos os vídeos do Globo Rural Tem ainda notícias sobre a alta nos preços do boi e do porco, as boas safras de algodão e trigo, a colheita do açafrão e mais notícias do campo. Não perca! A partir das 8h30. Veja mais vídeos do Globo Rural

  3. Com alta do desemprego e do número de trabalhadores por conta própria que buscam ter um CNPJ, número de microempreendedores individuais chega a 10,8 milhões. Thiago Gomes Motta, Letícia Barreto Porfírio e Márcio Batata estão entre os brasileiros que se tornaram MEIs durante a pandemia Arquivo Pessoal Maria decidiu abrir um negócio próprio e virar microempreendedora individual (MEI) após ficar desempregada durante a pandemia de coronavírus. Thiago aproveitou a crise para mudar de área e deixar de ter patrão. Letícia resolveu fazer o registro de empreendedora formalizada após ver crescer a procura pelo seu serviço de aulas particulares para crianças. Já Marcos enxergou uma possibilidade de ampliar o número de trabalhos e ter a cobertura da Previdência Social. Os quatro fazem parte do universo de aproximadamente 1 milhão de novos microempreendedores individuais (MEIs) que o país ganhou desde o início da pandemia. Segundo dados do Portal do Empreendedor do governo federal, o número total de registros de MEIs atingiu 10,775 milhões no último dia 12 de setembro, ante 9,788 milhões no dia 7 de março, data do último balanço divulgado antes do início da pandemia, declarada oficialmente pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 11 de março. Ou seja, um acréscimo de 985 mil trabalhadores em pouco mais de 6 meses. No acumulado no ano, o Brasil já ganhou mais de 1,3 milhão de novos microempreendedores, contra 1,2 milhão no mesmo período de 2019. O número atual de registros representa também um avanço de 14% na comparação com o patamar do final de dezembro. Veja gráfico abaixo: Número de MEIs no Brasil Economia G1 O MEI é um regime tributário simplificado, com isenção de alguns impostos, criado em 2009 para incentivar e facilitar a formalização de pequenos negócios e de trabalhadores autônomos como vendedores, cabeleireiros, pedreiros, entregadores de aplicativos e professores particulares. Com o registro, o profissional pode ter CNPJ, emitir notas fiscais e ter acesso a benefícios previdenciários como auxílio doença e aposentadoria. Com o aumento do desemprego e maior flexibilização das relações de trabalho, muitos brasileiros têm sido empurrados para o chamado "empreendedorismo por necessidade" como uma forma de sobrevivência, mas o MEI também tem sido usado como uma ferramenta para aumentar a renda e prestar serviços como pessoa jurídica a um custo relativamente baixo. O contingente de 10,8 milhões de MEIs já equivale a mais de um terço do número de empregos com carteira assinada no país, que no 2º trimestre reuniu 30,2 milhões de pessoas, segundo o IBGE. Em paralelo, o Brasil perdeu 1,092 milhão de empregos formais no acumulado nos 7 primeiros meses do ano. De acordo com o Ministério da Economia divulgados nesta semana, os MEIs eram responsáveis no final de agosto por 55% do total de 19,289 milhões de empresas ativas no país. Microempreendedores individuais crescem 5,4% no 2º quadrimestre 'Ainda bem que tem essa opção', diz presidente do Sebrae O presidente do Sebrae, Carlos Melles, reconhece que parte do crescimento do número de MEIs está relacionado com a crise no mercado de trabalho, mas destaca que o avanço desta modalidade tem se mostrado uma tendência natural. "Um termo vulgar é o 'boi na seringa'. Ou seja, ou você entra ali ou você não tem muita opção, mas ainda bem que tem essa opção", afirma. "Se não é a segurança do emprego com carteira, é pelo menos uma expectativa de que a pessoa possa achar o seu caminho através da sua vontade própria, da sua especialização." Leia a seguir relatos de novos MEIs, conheça as regras desse regime, e saiba o que tem levado um número cada vez maior de brasileiros a optar por essa modalidade de trabalho. 'Precisei emitir notas fiscais' A terapeuta Letícia Barreto Porfírio, de 25 anos, pós-graduanda em neuropsicopedagogia, decidiu abrir o MEI durante a pandemia devido ao aumento da demanda pelos seus serviços e necessidade de sair da informalidade. "Aumentou muito a busca pelo meu serviço e demandou de mim maior institucionalização. Precisei emitir notas fiscais e ampliar espaço de atendimento”, conta a nova microempreendedora, que dá aulas particulares de musicalização infantil para crianças autistas e com outros desafios de desenvolvimento, como paralisia cerebral. Ela se registrou como MEI no dia 18 de maio, data do seu aniversário. “Me dei de presente essa autonomia." Letícia conta que começou dando aulas em casa, mas passou a prestar serviço também dentro de uma escola no Rio de Janeiro, que lhe cede o espaço. Em março, ela tinha apenas dois alunos. Agora, já são 12 crianças, com idades entre 1 e 9 anos. Embora o MEI tenha se tornado a alternativa de inserção de muitos jovens no mercado de trabalho, os números oficiais mostram que a maior concentração está na faixa dos 31 aos 40 anos, que reúne 3,3 milhões, ou 30,1% do total. Veja gráfico abaixo: MEIs por faixa etária Economia G1 Levantamento da fintech MEI Fácil mostra que 37% dos MEIs abrem o CNPJ para se formalizar no mercado e que 59% dos microempreendedores já exerciam a função antes da abertura do registro. Muitos, no entanto, acabam enfrentando dificuldades para conseguir emitir notas fiscais, uma vez que é necessário abrir um cadastro específico nas prefeituras ou estados. A estimativa é que menos de 15% dos MEIs tenham hoje nota fiscal. "Esse ainda é um processo extremamente moroso e burocrático, e não uniformizado. Muitos param no meio do caminho", afirma o fundador da MEI Fácil, Marcelo Moraes. 'Me garante alguma coisa' A possibilidade de ampliar as oportunidades de trabalhos e ter mais facilidade para acessar crédito foi o que atraiu o fotógrafo Marcos Batata, de 39 anos, morador do Morro do Macaco, em Cotia, na Grande São Paulo, a entrar nas estatísticas do MEI. "É um facilitador, caso haja a exigência da nota [fiscal]. Se for exigência do contratante, isso ajuda", afirma o fotógrafo, que atua há 4 anos por conta própria. Ele conta que se tornou MEI em agosto, após ajudar uma vizinha a fazer o registro pela internet e avaliar que ele também poderia se beneficiar. "É uma possibilidade de eu pagar o INSS. Não que eu vá me aposentar. Mas isso me garante alguma coisa se eu me machuco na rua, por exemplo", diz. 'Passei a poder administrar meu próprio tempo' Para Thiago Gomes Motta, de 37 anos, a crise econômica foi o impulso para a decisão de mudar de vez de área. Ele trabalhava no comércio e, em maio, decidiu empreender na área de construção civil, área em que já havia trabalhado. "Passei a poder administrar meu próprio tempo", diz. Thiago fez consultoria online com o Sebrae e investiu cerca de R$ 5 mil na abertura da empresa para realizar obras e ajudar oferecer capacitação profissional para jovens na Vila de Cava, em Nova Iguaçu, um dos municípios mais violentos da Baixada Fluminense. A motivação para abrir a empresa era empregar o irmão caçula, Diego, que se encontrava em situação de vulnerabilidade social e foi assassinado na sexta-feira da Paixão, no dia 10 de abril, pouco mais de uma semana depois de completar 31 anos. “Infelizmente, não deu tempo de empregar meu irmão", lamenta. Passados quase quatro meses da abertura da empresa, ele afirma já ter recuperado o investimento. “Eu já estava trabalhando antes de abrir o MEI, mas pelo fato de as pessoas estarem [mais] em casa e estar contando com uma renda extra, a gente acabou sendo chamado para fazer várias obras, porque a construção civil não parou com a pandemia, porque é serviço essencial”, conta. Sem alternativa, pessoas que perderam emprego na pandemia viram microempreendedores 'Foi a única saída que eu vi' A cozinheira Maria Carleusa Alves, de 47 anos, abriu o MEI após ficar desempregada em plena pandemia. Ela passou a vender marmitas na bairro após ficar sem renda e ter que entrar na fila de espera para receber o seguro-desemprego. “Foi a única saída que eu vi para trabalhar e não ficar sem nada dentro de casa”, afirma a cozinheira, que perdeu o emprego no final de abril, mas só conseguiu receber a primeira parcela do seguro-desemprego em agosto. Ela conta que decidiu ter um CNPJ após um dos seus maiores clientes passar a pedir nota fiscal e prometer encomendar mais de 40 refeições por dia. “De repente, ele sumiu. Nunca mais falou nada. E eu ligo, mas ele não me atende”, conta a cozinheira, que 1 mês após se formalizar foi forçada a dar uma pausa no negócio. “Eu vi tudo ficando mais caro e não estava tendo lucro de nada. Pensei: ‘Se aumentar o valor da marmitex, as pessoas não vão comprar’. Daí achei melhor dar uma parada por enquanto até melhorar as coisas”, afirma. Apesar das dificuldades para viabilizar o negócio, ela diz que sempre teve a vontade de empreender e planeja agora transformar a garagem da casa num pequeno restaurante. “Clientela eu tenho, todo mundo gosta da minha comida. Quando for ano que vem, quero começar a atender no meu próprio salão”, diz. Atualmente, são mais de 500 atividades permitidas para o registro de MEI. Além da atividade principal, o microempreendedor pode registrar até 15 ocupações para atividades secundárias. Levantamento da MEI Fácil mostra que as atividades com o maior no número de registros neste ano foram as relacionadas ao comércio de artigos do vestuário, cabeleireiros, manicure e pedicure e venda de refeições. Veja ranking abaixo: Atividades com maior número de novos registros Economia G1 'É o se vira nos 30' O especialista em empreendedorismo Marcelo Moraes explica que o faturamento médio mensal dos microempreendedores com CNPJ costuma ser baixo, ao redor de R$ 2 mil, e que cerca de metade dos MEIs em atividade no país passou a realizar mais de uma atividade durante a pandemia para compensar a perda de renda. "É uma renda de sobrevivência. É um público que trabalha muito com o comércio de rua. É a pequena lanchonete, o pipoqueiro, o carrinho de cachorro-quente, a venda direta, quem trabalha com obras. E é um público que tem uma flexibilidade para exercer outras atividades. É o carpinteiro que passa a fazer marmita, é o pedreiro que passa a dirigir Uber. É o se vira nos 30, se necessário", afirma. Uma mostra da situação de maior vulnerabilidade destes trabalhadores é que praticamente metade dos MEIs está recebendo o Auxílio Emergencial do governo federal. Dados do IBGE mostram que a renda média mensal do trabalhador por conta própria com CNPJ costuma ser superior à dos trabalhadores informais. Mas nem todos os MEIs conseguem manter uma remuneração mensal ou contínua. "Uma coisa é a pessoa ganhar R$ 1.500 todo mês. Outra é ganhar R$ 3 mil em um mês e zero no outro. A terceira é não saber quando é o zero e quando é o R$ 3 mil", destaca Moraes. Não há número oficiais sobre o percentual de MEIs que não utilizam mensalmente o CNPJ, mas uma das vantagens do programa é que o registro pode ser mantido mesmo que o profissional realize poucos serviços a terceiros ao longo do ano ou até mesmo venha a ter um emprego com carteira assinada. Os dados sobre impostos atrasados indicam, porém, que uma parcela significativa desses microempreendedores tem dificuldade para manter o pagamento em dia. A inadimplência tem se mantido historicamente acima de 50%. Em julho, 50,13% dos MEIs inscritos pagaram em dia a guia mensal, segundo dados da Receita Federal. Renúncia fiscal Atualmente, o custo de contribuição mensal do registro é de até R$ 58,25. Pelas regras do programa, 2 anos consecutivos de não pagamento da guia de recolhimento mensal e de omissão da declaração anual das operações comerciais podem levar também ao cancelamento do CNPJ. A última exclusão foi realizada em 208, quando 1,37 milhão de registros foram cancelados. O presidente do Sebrae afirma que, em razão da pandemia, a Receita sinalizou que não irá realizar por enquanto novas exclusões, e avalia que o programa tem um custo relativamente barato. "Por menos de R$ 60 por mês, a pessoa se torna um microempreendedor legalizado, com uma liberdade muito grande", destaca. O economista do Ibre/FGV Daniel Duque destaca que o principal benefício do MEI é o baixo valor pago de imposto. "O MEI funciona hoje como uma grande isenção fiscal, e tem sido usado por trabalhadores e empresas para pagar menos impostos. Quanto mais pessoas entrarem no MEI, mais vai ser difícil criar um menor subsídio para esse tipo de trabalho", afirma. Segundo a Receita Federal, a renúncia tributária com o MEI está estimada em R$ 3,294 bilhões em 2020. Embora o valor tenha praticamente dobrado em relação a 2016 (R$ 1,676 bilhão), representa apenas 1% dos mais de R$ 320 bilhões previstos para o ano em isenções no país. Microempreendedores individuais crescem no país durante a pandemia Regras do MEI Ao se cadastrar como MEI, o empresário é enquadrado no Simples Nacional – com tributação simplificada e menor do que as médias e grandes companhias – e fica isento dos tributos federais (Imposto de Renda, PIS, Cofins, IPI e CSLL). Podem aderir ao MEI os negócios que faturam até R$ 81 mil por ano (ou R$ 6,7 mil por mês) e com, no máximo, um funcionário. O valor de contribuição mensal varia de R$ 53,25 a R$ 58,25, dependendo do ramo de atividade, somados os recolhimentos de INSS, ICMS e ISS. O pagamento deve ser efetuado até o dia 20 de cada mês. Ao fazer o registro, o trabalhador passa a ter direito a aposentadoria por invalidez, auxílio doença, salário maternidade e pensão por morte para seus familiares. Vale destacar porém que, ao ficar inadimplente, o microempreendedor pode não conseguir esses benefícios. Para fazer o registro é preciso checar se o negócio se enquadra em uma das 500 atividades permitidas pelo MEI. Para se inscrever basta acessar o Portal do Empreendedor. Confira alguns dos benefícios do MEI: Legalização das atividades desempenhadas Redução do número de impostos, com isenção dos federais Contribuição de valor menor para a Previdência Social Pagamento simplificado de tributos Direito a aposentadoria, auxílio-doença e auxílio-maternidade Possibilidade de contratação por outras empresas Possibilidade de emissão de notas fiscais Número de MEIs no Brasil Economia G1 Vídeos: conheça empreendedores que estão superando a crise

  4. Nos 12 meses até agosto, alimentação no domicílio teve aumento de 11,4% nos preços. No caso do feijão, dependendo do tipo e da região, a alta acumulada supera os 30%, de acordo com o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de agosto Getty Images Um dos inúmeros memes que invadiram a internet na semana passada mostra a vilã Nazaré Tedesco, interpretada por Renata Sorrah na novela da TV Globo Senhora do Destino, de 2005, fugindo com um saco de arroz de cinco quilos. Na cena original, Nazaré carregava um bebê roubado, cuja família estava no seu encalço. Arroz em alta: mandioca, batata e batata-doce podem ser substitutos e ainda oferecer outros nutrientes e vitaminas Arroz e óleo mais caros: entenda por que a inflação dos alimentos disparou no país A brincadeira mostra o quão valioso se tornou um item da cesta básica brasileira: com alta de 3,98% em agosto, o arroz acumula um aumento de 19,25% no ano. No caso do feijão, dependendo do tipo e da região, a alta acumulada supera os 30%, de acordo com o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de agosto. Completam a lista das maiores altas do ano o leite (23%) e os ovos (7,1%). A inflação no prato do brasileiro despertou a dúvida: estamos prestes a viver uma sucessão de alta nos preços, no momento em que a taxa básica de juros (Selic) — usada para controlar a inflação — está no seu mais baixo patamar histórico? A resposta é não. A inflação recente observada nos alimentos é pontual e não deve se expandir para outros setores da economia, segundo economistas ouvidos pela BBC News Brasil. Mas o motivo por trás isso não é uma boa notícia. "Não existe demanda que sustente um aumento de preços generalizado", diz André Braz, coordenador do Índice de Preço ao Consumidor (IPC) do Instituto Brasileiro de Economia (IBRE), vinculado à Fundação Getúlio Vargas (FGV) Pressão sobre alimentos "No Brasil, a capacidade de consumo está freada pelo alto endividamento das famílias", completa o economista Ladislau Dowbor, professor titular de pós-graduação da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). "Com exceção dos alimentos, estamos em deflação, as pessoas pararam de consumir. E o mercado de trabalho dinâmico vai demorar a voltar", diz Maria Andreia Parente Lameiras, pesquisadora do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). De acordo com André Braz, um dos fatores que explicam a alta recente no preço dos alimentos é o aumento da demanda interna. "A classe média brasileira criou um certo colchão de reservas, porque deixou de gastar com lazer e viagens, por exemplo, e com a pandemia ficou mais tempo na residência, o que a levou a cozinhar em casa", diz. Ao mesmo tempo, os mais pobres tiveram o auxílio emergencial de R$ 600 concedido pelo governo federal, e quase um quarto do ganho das classes menos favorecidas é destinado à alimentação. Houve uma maior demanda por alimentos, no momento em que a taxa de câmbio disparou, como reflexo do déficit público muito elevado, afirma Braz. "Com isso, muitos produtores preferiram exportar parte da produção, já que existe uma alta demanda por alimentos em todo o mundo, especialmente da China, com a compra de grãos e proteína animal", diz. Assim, na equação entre alta demanda e baixa oferta, o preço sobe. Essa pressão sobre o preço dos alimentos deve se manter até o fim do ano, mas em menor proporção, segundo os economistas. "O colchão da classe média vai se tornando cada vez mais fino com o passar do tempo, enquanto o auxílio emergencial, cujo valor já caiu pela metade - são R$ 300 -, só será concedido até dezembro", afirma Braz. "Uma queda mais significativa no preço do arroz deve ser observada no começo do ano que vem, com uma nova safra", diz Maria Andrea. Impacto sobre os mais pobres De acordo com a pesquisadora do Ipea, o aumento recente nos preços corrói os ganhos dos mais pobres. Nos últimos 12 meses encerrados em agosto, a inflação dos segmentos de renda mais baixa subiu 3,2%, atingindo uma taxa mais de duas vezes superior à da inflação das famílias de maior poder aquisitivo (1,5%), segundo o Ipea. "Em agosto, por exemplo, as famílias de maior renda tiveram um alívio com a queda nos preços das mensalidades escolares, algo que não impacta a vida das famílias mais pobres", diz ela. O indicador do Ipea aponta que segmentos como vestuário e cama, mesa e banho registraram uma forte queda nos preços nos últimos meses, como reflexo da pandemia. "Mas ainda que os empresários desses setores repassem algum aumento até o fim do ano, não será nada significativo, simplesmente porque não há demanda", diz Maria Andrea. "Não há qualquer fator que justifique uma pressão inflacionária generalizada no Brasil". Com 13 milhões de desempregados, 6 milhões de "desalentados" (quem desistiu de procurar trabalho) e 40 milhões sobrevivendo no setor informal, o Brasil está longe de entrever uma retomada da economia, afirma Ladislau Dowbor. "A grande massa da população está fragilizada e endividada", diz o professor da PUC-SP. Segundo ele, parte do que foi ganho com o auxílio emergencial sustentou o sistema financeiro, com pagamento de cheque especial e juros do cartão. "O país soma 61 milhões de pessoas 'negativadas', ou seja, com nome sujo, porque não entendem que a cobrança dos juros é mensal, e não anual, como no resto do mundo", diz. Como exemplo, Dowbor cita a taxa de juros do crédito rotativo, que está em 255% no Brasil ao ano — contra 11% no Canadá, por exemplo. "Isso trava completamente a capacidade de compra", afirma. Do lado dos comerciantes, não há expectativas positivas sequer para a principal data do ano, o Natal. "Cerca de 9 milhões de pessoas tiveram o seu contrato de trabalho suspenso no Brasil durante a pandemia", diz Fábio Pina, assessor econômico da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP). "Parte desses trabalhadores nem vai voltar à ativa, porque muitas empresas como restaurantes, bares, cinemas, pequenos negócios de eventos e vestuário fecharam as portas", afirma. Com menos gente recebendo o 13º salário, menos dinheiro será injetado na economia em novembro e dezembro. "Vamos ter certamente um Natal pior do que o do ano passado", diz. Para 2021, os economistas acreditam que o Brasil vai ficar perto da meta de inflação, de 3%, sem superá-la. O movimento de recuperação da economia será muito gradual — bem distante do "V da Nike", figura usada pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, para apontar uma ascensão apenas um pouco mais lenta que a queda. "A retomada da economia vai depender fundamentalmente do equilíbrio fiscal, para recuperar a confiança dos investidores", diz Fábio Pina. Na opinião de André Braz, os governantes poderiam começar cortando o próprio salário, para mostrar o quanto estão comprometidos com a redução de despesas e o equilíbrio das contas públicas. "Mas raramente as equipes econômica e política deste governo entram em acordo." Vídeos: Alta no preço dos alimentos
  5. 'Se os Estados Unidos persistirem com suas ações unilaterais, a China tomará as medidas necessárias', diz Ministério chinês do Comércio em comunicado. EUA proibirão downloads de TikTok e uso do WeChat a partir de domingo A China acusou neste sábado os Estados Unidos de atos de "intimidação" ao proibir o download dos aplicativos TikTok e WeChat a partir deste domingo, e ameaçou os americanos com represálias. "Se os Estados Unidos persistirem com suas ações unilaterais, a China tomará as medidas necessárias para proteger firmemente os direitos e interesses legítimos das empresas chinesas", afirmou o Ministério chinês do Comércio em comunicado. "A China incentiva os Estados Unidos a abandonar seus atos repreensíveis e suas intimidações e a respeitar escrupulosamente as regras internacionais, justas e transparentes", completou Pequim. Os fatores que levaram Trump a anunciar bloqueio de TikTok e WeChat nos EUA Nesta sexta-feira, Washington deu mais um passo rumo à proibição dos dois aplicativos, propriedades dos gigantes chineses ByteDance e Tencent, justificando a decisão com supostos riscos à segurança nacional americana. De acordo com o decreto assinado pela Casa Branca, o app de mensagens WeChat deixará de ser acessível nos EUA a partir deste domingo. Já o TikTok não poderá mais baixar ou atualizar o aplicativo, mas o serviço continuará disponível até 12 de novembro para os usuários americanos que já o têm instalado. É um prazo que poderia permitir que a ByteDance venda suas atividades do TikTok nos Estados Unidos para uma companhia americana, única solução cogitada por Washington para não proibir o aplicativo de vídeos em seu território. De acordo com o governo americano, estas novas medidas foram definidas para proteger a segurança nacional, mas agravaram a batalha com Pequim sobre a tecnologia digital. O endurecimento das relações com a China tem sido um dos pilares da campanha de Donald Trump, que buscará a reeleição em 3 de novembro. TikTok: o aplicativo chinês que conquistou milhões de usuários Veja mais vídeos sobre tecnologia: