Economia

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  1. Assessor de Guedes, executivo já foi diretor-presidente da Serpro. Governo anunciou nesta segunda (23) a demissão de José Mauro Ferreira Coelho, que ocupava o posto desde o dia 14 de abril. Caio Paes de Andrade Divulgação O governo federal indicou nesta segunda-feira (23) o nome do atual secretário de desburocratização do Ministério da Economia, Caio Paes de Andrade, para assumir o comando da Petrobras . Paes de Andrade foi indicado ao cargo após o Ministério de Minas e Energia divulgar nesta segunda-feira (23), por meio de nota oficial, a demissão do então presidente da estatal José Mauro Ferreira. O executivo permaneceu apenas 40 dias no cargo. Paes de Andrade é o atual secretário de desburocratização do Ministério da Economia. Ele tem formação em comunicação social pela Universidade Paulista, pós-graduação em administração e gestão pela Universidade de Harvard e é mestre em administração de empresas pela Universidade Duke, nos Estados Unidos. Ainda, se acordo com currículo publicado na pasta, Andrade já foi diretor-presidente do Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro), empresa pública de tecnologia de informação responsável, por exemplo, pela triagem dos cadastros do auxílio emergencial. Paes de Andrade também liderou mais de 20 processos de M&A (fusões e aquisições) e é fundador e conselheiro do Instituto Fazer Acontecer, organização com foco na transformação social de crianças e adolescentes do semiárido baiano com base no esporte. Andrade passou da iniciativa privada para a área pública em 2019. Histórico Esta não é a primeira vez que o secretário Caio Paes de Andrade é considerado para assumir o comando da estatal. O nome de Paes de Andrade chegou a ser cogitado para o posto quando o general Joaquim Silva e Luna foi demitido. No entanto, na ocasião, o então ministro de Minas e Energia Bento Albuquerque preferiu o nome do economista Adriano Pires sob a alegação de que o secretário não tinha experiência na área. Dias depois, Pires desistiu de assumir a presidência da estatal e o nome de Paes de Andrade voltou a ser cotado pelo governo. VÍDEOS: notícias sobre política

  2. Após 40 dias no cargo, José Mauro Ferreira Coelho foi demitido. Indicado para o posto é Caio Mário Paes de Andrade, atual secretário de Desburocratização do Ministério da Economia. Governo anuncia nova troca na presidência da Petrobras O Ministério de Minas e Energia anunciou em nota oficial na noite desta segunda-feira (23) a demissão de mais um presidente da Petrobras. Após 40 dias no cargo, José Mauro Ferreira Coelho foi dispensado. Ele foi o terceiro presidente da estatal no governo Jair Bolsonaro. Os dois anteriores, também demitidos, são Roberto Castello Branco e Joaquim Silva e Luna. Para o lugar de José Mauro Coelho, o governo decidiu indicar Caio Mário Paes de Andrade, auxiliar do ministro Paulo Guedes no Ministério da Economia, onde ocupava o cargo de secretário de Desburocratização. A indicação precisa ser aprovada pelo Conselho de Administração da Petrobras, no qual o governo tem maioria por ser o acionista majoritário da empresa. Caio Paes de Andrade, indicado para presidente da Petrobras Divulgação Os três demitidos da presidência da Petrobras foram vitimados pela progressiva elevação do preço dos combustíveis. Pré-candidato à reeleição, Jair Bolsonaro cobrou de todos eles que os preços fossem contidos. O presidente chamou de "estupro" o lucro da estatal e pressionou a empresa a não reajustar preços. Mas a Petrobras está submetida ao critério de paridade internacional, política adotada pelo governo Michel Temer em 2016 que faz o preço dos combustíveis variar de acordo com a cotação do barril de petróleo no mercado internacional e das oscilações do dólar. No último dia 15, questionado sobre a eventual demissão de José Mauro Ferreira Coelho, Bolsonaro respondeu: "Pergunta para o Adolfo Sachsida", que dias antes havia substituído Bento Albuquerque — também demitido — como ministro de Minas e Energia. Em abril, Caio Paes de Andrade chegou a ser cotado para presidir a estatal, depois de o economista Adriano Pires ter recusado convite para ocupar o cargo. Na ocasião, o governo buscava um sucessor para Joaquim Silva e Luna. Segundo a nota do ministério (leia a íntegra ao final desta reportagem), Andrade é formado em comunicação social pela Universidade Paulista, pós-graduado em administração e gestão pela Harvard University e mestre em administração de empresas pela Duke University. "Portanto, o indicado reúne todos as qualificações para liderar a Companhia a superar os desafios que a presente conjuntura impõe, incrementando o seu capital reputacional, promovendo o continuo aprimoramento administrativo e o crescente desempenho da Empresa, sem descuidar das responsabilidades de governança, ambiental e, especialmente, social da Petrobras", diz o texto. 'Fatores geopolíticos' De acordo com a nota do Ministério de Minas e Energia, "diversos fatores geopolíticos conhecidos por todos resultam em impactos não apenas sobre o preço da gasolina e do diesel, mas sobre todos os componentes energéticos". "Dessa maneira, para que sejam mantidas as condições necessárias para o crescimento do emprego e renda dos brasileiros, é preciso fortalecer a capacidade de investimento do setor privado como um todo. Trabalhar e contribuir para um cenário equilibrado na área energética é fundamental para a geração de valor da Empresa, gerando benefícios para toda a sociedade", diz o texto. Histórico de demissões José Mauro Ferreira Coelho é o terceiro presidente a ser demitido pelo governo Bolsonaro. O primeiro a assumir o comando da estatal durante o governo do presidente Jair Bolsonaro foi o economista Roberto Castello Branco, indicado logo após as eleições de 2018. Castello Branco foi nomeado para cargo em janeiro de 2019 e demitido em fevereiro do ano passado pelo presidente, que alegou estar insatisfeito com os reajustes nos preços de combustíveis durante a gestão do economista. O nome indicado para substituir Castello Branco foi o general Joaquim Silva e Luna. O militar tomou posse do cargo em abril de 2021 e permaneceu no posto até março deste ano. O general permaneceu 343 dias no cargo e foi demitido em abril deste ano por ter seguido a lógica de mercado para definição dos preços. Após a saída de Silva e Luna, o governo chegou a indicar os nomes do economista Adriano Pires e do empresário Rodolfo Landim para assumir o comando da estatal, no entanto, ambos informaram que não poderiam assumir os postos. Em abril, o governo indicou José Mauro Coelho para assumir o comando da estatal. O executivo assumiu a presidência da Petrobras no dia 14 do mês passado Íntegra da nota Leia a íntegra de nota do Ministério das Minas e Energia: Nota oficial - Presidência da Petrobras O Governo Federal, como acionista controlador da Petróleo Brasileiro S.A. – Petrobras, participa que decidiu promover alteração da Presidência da Empresa. O Governo consigna ao Presidente José Mauro os agradecimentos pelos resultados alcançados em sua gestão, frente a Petrobras. O Brasil vive atualmente um momento desafiador, decorrente dos efeitos da extrema volatilidade dos hidrocarbonetos nos mercados internacionais. Adicionalmente, diversos fatores geopolíticos conhecidos por todos resultam em impactos não apenas sobre o preço da gasolina e do diesel, mas sobre todos os componentes energéticos. Dessa maneira, para que sejam mantidas as condições necessárias para o crescimento do emprego e renda dos brasileiros, é preciso fortalecer a capacidade de investimento do setor privado como um todo. Trabalhar e contribuir para um cenário equilibrado na área energética é fundamental para a geração de valor da Empresa, gerando benefícios para toda a sociedade. Assim, o Governo Federal decidiu convidar o Sr Caio Mário Paes de Andrade para exercer o Cargo de Presidente da Petrobras. O Sr Caio Paes de Andrade é formado em Comunicação Social pela Universidade Paulista, pós-graduado em Administração e Gestão pela Harvard University e Mestre em Administração de Empresas pela Duke University. Portanto, o indicado reúne todos as qualificações para liderar a Companhia a superar os desafios que a presente conjuntura impõe, incrementando o seu capital reputacional, promovendo o continuo aprimoramento administrativo e o crescente desempenho da Empresa, sem descuidar das responsabilidades de governança, ambiental e, especialmente, social da Petrobras. Por fim, o Governo renova o seu compromisso de respeito a governança da Empresa, mantendo a observância dos preceitos normativos e legais que regem a Petrobras. Assessoria de Comunicação Social
  3. Medida inclui 87% dos bens hoje submetidos a essa tributação, diz ministério. Redução tenta baratear importações e reduzir escalada de preços no país. O Ministério da Economia anunciou nesta segunda-feira (23) um novo corte de 10% no imposto de importação cobrado sobre bens como feijão, carne, massas, biscoitos, arroz e materiais de construção. Em novembro do ano passado, o governo havia feito uma redução da mesma magnitude no imposto. Segundo o Ministério da Economia, as duas reduções somadas afetam mais de 87% dos produtos sujeitos a essa tributação. Nesse conjunto de bens, de acordo com a pasta, as alíquotas foram reduzidas a zero ou sofreram um corte total de 20%. Assim como no ano passado, ficaram de fora do corte produtos de setores como têxteis, calçados, brinquedos, laticínios e produtos do setor automotivo que já tinham tarifa superior a 14%. O ministro Paulo Guedes vinha defendendo novas reduções de tarifas cobradas no comércio exterior como maneira de combater a escalada de preços na economia. Ao cortar o imposto, o governo tenta baratear a compra de produtos trazidos do exterior – o que pode ter impacto também nos preços da produção interna. De acordo com a pasta, a nova redução foi aprovada pelo Comitê-Executivo de Gestão (Gecex) da Câmara de Comércio Exterior (Camex) nesta segunda, com prazo até 31 de dezembro de 2023. A resolução que oficializa a medida, segundo o ministério, será publicada no "Diário Oficial da União" de terça-feira (24). O custo da medida para os cofres públicos será de R$ 3,7 bilhões. O secretário de Comércio Exterior do ministério, Lucas Ferraz, afirmou que em casos como este a Lei de Responsabilidade Fiscal não exige uma medida para compensar a perda – seja um corte de despesa ou um aumento de outro imposto. LEIA TAMBÉM: IPCA: inflação fica em 1,06% em abril e atinge 12,13% em 12 meses Brasil é um caso raro de país com taxas de dois dígitos de inflação, juros e desemprego Endividamento das famílias: o que dizem pré-candidatos à Presidência Mais de um terço das famílias relata queda da renda mensal no primeiro trimestre, aponta pesquisa ‘Ao contrário do que fala Paulo Guedes, inflação no Brasil é muito maior do que na Europa’, diz economista Impacto nos preços Ferraz ainda afirmou que a medida deve causar uma redução média de 0,5 a 1 ponto percentual nos preços cobrados no Brasil. "Individualmente, os produtos podem ter impactos maiores ou menores, esse seria um impacto médio", ponderou. Já o secretário-executivo da Economia, Marcelo Guaranys, admitiu que o corte tarifário "não necessariamente" será repassado para os preços de hoje, mas a chegada de bens importados aumentará a concorrência no Brasil e deve segurar novos aumentos. "Ainda que não se perceba uma diminuição do preço do produto hoje, ele pode ser impedido de subir. Porque quanto mais ele sobe, mais interessante é importar", afirmou. De acordo com a Secretaria de Comércio Exterior do ministério, as duas reduções somadas provocarão, "no longo prazo" (até 2040), um aumento de R$ 533,1 bilhões no PIB do Brasil, um incremento de R$ 376,8 bilhões em investimentos, uma elevação de R$ 758,4 bilhões nas importações e um acréscimo de R$ 676,1 bilhões nas exportações. Porém, esse impacto só será observado se a redução temporária anunciada nesta segunda se tornar permanente. Nesse sentido, Guaranys afirmou que o governo está em negociação com os demais parceiros do Mercosul – Argentina, Uruguai e Paraguai – para que o corte seja permanente. De acordo com Ferraz, a expectativa da pasta é que os quatro países do bloco adotem o corte de 20% de forma permanente ainda em 2022. Cortes de imposto Em meados de maio, o governo também reduziu o imposto de importação cobrado sobre 11 produtos – a exemplo de alimentos e do vergalhão de aço, usado na construção civil para reforçar a resistência do concreto. Em março, o governo também havia reduzido a alíquota do Imposto de Importação de seis itens da cesta básica: café, margarina, queijo, macarrão, açúcar cristal e óleo de soja. Na mesma ocasião, cortou em 10% a alíquota cobrada sobre máquinas e equipamentos, importados para intensificar a produção de bens no Brasil. Como uma redução da mesma magnitude já havia sido feita em 2021 na alíquota de bens de capital, o corte total nas tarifas desses produtos chegou a 20%. Em fevereiro, o governo ainda reduziu em até 25% as alíquotas do Imposto Sobre Produtos Industrializados para a maioria dos produtos e, no fim de abril, ampliou o corte para 35%. Entretanto, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal Federal (STF), suspendeu na semana passada a redução do Imposto Sobre Produtos Industrializados (IPI) para produtos de todo o país que também são produzidos pela Zona Franca de Manaus. Em outubro do ano passado, os governos do Brasil e da Argentina entraram em acordo para reduzir em 10% a Tarifa Externa Comum (TEC) do Mercosul – bloco econômico que também inclui os vizinhos Paraguai e Uruguai. A redução atingiria 87% dos produtos tarifados. ‘Cheirinho de inflação de alimentos’, diz Flavia Oliveira sobre o impacto do frio na produção agrícola
  4. Em entrevista ao blog, o CEO da empresa aérea JetSMART, Estuardo Ortiz, disse que "não existe mala despachada de graça" e que qualquer item que seja incluído na passagem aérea, "em especial bagagem", "vai fazer a tarifa aumentar". A JetSMART é uma empresa área de baixo custo (ultra low cost) que atua na América Latina e avalia entrar no mercado brasileiro. A companhia chega a ter tarifas domésticas no Chile a apenas US$ 15. A volta do do despacho gratuito de bagagens em voos vem sendo discutida no Congresso Nacional. A regra que prevê o restabelecimento da franquia gratuita de bagagens nos voos comerciais que operam no Brasil foi incluída pela Câmara dos Deputados em uma medida provisória sobre o setor aéreo. Câmara aprova volta do despacho gratuito de bagagem com até 23 kg em voos Na terça-feira (17), o Senado aprovou o trecho incluído pela Câmara. Para começar a valer, a regra ainda depende da sanção do presidente Jair Bolsonaro (PL). Estuardo Ortiz afirma que obrigar o despacho de bagagem incluso na tarifa aérea vai aumentar o preço das passagens. Segundo ele, 35% a 50% dos passageiros não levam bagagem despachada, e todos irão pagar a mais se a mudança em análise no Congresso entrar em vigor. Veja a entrevista completa Pergunta: A volta da obrigatoriedade da bagagem despachada sem custo para o consumidor pode afastar empresas low cost do Brasil? Estuardo Ortiz: A tarifa mais baixa existente é aquela que inclui apenas o transporte de um ponto a outro. Qualquer outro item que você inclua, em especial bagagem, vai fazer a tarifa aumentar. No mundo todo as passagens mais baratas não incluem bagagem. De 35% a 50% dos passageiros não levam bagagem despachada, então se o despacho passa a ser gratuito e obrigatório, todos os passageiros que não despacham passam a pagar por algo que eles não precisam. Para uma empresa ultra low cost, é crucial para o modelo de negócio que o consumidor possa decidir se quer pagar ou não pelo despacho. É a única forma deste modelo de negócio permitir passagens a custo muito baixo. Se a regulação no Brasil incluir despacho gratuito obrigatório, não apenas vai impedir a entrada de empresas ultra low cost no Brasil, mas vai aumentar os preços de forma permanente para os brasileiros e obrigar as empresas aéreas que estão no Brasil a aumentar tarifas. Isto pode ter um impacto muito negativo para todos os viajantes no Brasil. Os preços de passagens aéreas respondem a concorrência. Quanto maior a competição, mais baixa a tarifa. Medidas como a em estudo no Congresso só reduzem a concorrência e aumentam os preços a serem pagos pelos brasileiros. Pergunta: Por que as bagagens aumentam o preço das passagens? Estuardo Ortiz: Bagagem é um item caro de se se transportar e portanto é justo que o passageiro tenha o direito de pagar ou não por ela. Por exemplo: uma família de cinco pessoas pode escolher levar apenas duas malas. Por que cobrar por 5 então? Lembrando que quando é obrigatório o despacho sem custos, todos pagam. Se uma pessoa viaja um dia a trabalho, porque pagar pelo custo do direito de despachar bagagem? Não existe mala despachada de graça. Bagagens têm um custo substancial, porque precisam passar pelo checkin, levadas para a aeronave, seu peso faz o avião consumir mais combustível, que é o item mais caro de uma empresa aérea. As malas ainda precisam ser tiradas do avião e levadas para a área de retirada pelos passageiros. Se o despacho é incluído em todas as tarifas, então os preços precisam subir. Ao invés de ser algo positivo para os consumidores, vai ter um impacto negativo para todos os passageiros brasileiros. O mundo todo está indo na direção das tarifas desagregadas, que permitem aos consumidores decidirem por eles próprios o que querem agregar à passagem e pagar. VÍDEOS: veja notícias de economia

  5. Ao alinhar tecnologia com inovação, o agronegócio de Mato Grosso do Sul desponta com práticas que se preocupam socioambientalmente e garantem um futuro promissor para as novas gerações. Adotar condutas mais sustentáveis deixa de ser opção e passa a ser realidade para a conservação. Várias culturas apostam na sustentabilidade para alavancar economia. Reprodução Mato Grosso do Sul é um dos maiores produtores brasileiros de alimentos, fibras e bioenergia. Se transformou em uma potência do agro alicerçado na tecnologia e na inovação. Graças à parceria do campo com a ciência, o estado diversificou as atividades e se transformou em exemplo de como é possível produzir mais e com sustentabilidade, ao unir os aspectos ambiental, social e econômico. No estado, a expansão agropecuária ocorre em áreas já antropisadas. Essas terras, antes subutilizadas e em processo de degradação, estão sendo recuperadas, se transformando em solos férteis, que possibilitam diversos tipos de cultivos e atividades, do plantio de grãos a florestas de eucaliptos, até a pecuária de alto rendimento. Além da recuperação de áreas degradadas, diversas outras práticas sustentáveis foram incorporadas ao cotidiano dos produtores como: uso dos sistemas integrados, plantio direto, fixação biológica de nitrogênio e recuperação de nascentes e entre outras. Nesta reportagem multimídia, você vai ler os seguintes assuntos: Tecnologia proporciona mais sustentabilidade no campo; Entidades ajudam a disseminar conhecimento sustentável no campo; Produção rural remodelada preserva mananciais; Cana que produz alimento e bioenergia; Modernidade nos processos rurais asseguram futuro mais sustentável; Apicultura é prática secular e que tem a sustentabilidade como base; Boi orgânico ajuda a preservar o Pantanal; Comércio volta os olhos para consumo da proteína animal orgânica; A importância da celulose para Mato Grosso do Sul; Reflorestamento e Energia Verde; Integração de culturas é aposta para promover a sustentabilidade no campo; Da exclusividade do boi à sustentabilidade ambiental com a integração de culturas. Trabalho institucional Entrevista com presidente do Sindicato Rural de Campo Grande, Alessandro Coelho O presidente do Sindicato Rural de Campo Grande, Alessandro Oliva Coelho, destaca o trabalho feito pelas entidades representativas do agro para levar conhecimento sobre sustentabilidade ao campo, sendo o elo entre produtores e instituições de pesquisa. Ouça acima entrevista. “Oferecemos palestras técnicas, capacitação de mão de obra e apoio técnico, sempre em conjunto com o Senar/MS e outras instituições. Todo o sistema sindical trabalha muito forte nessa área, para levar conhecimento ao campo. É difícil atingir a base, tendo em vista as distâncias e as dificuldades de comunicação, mas temos vários parceiros que promovem também essas iniciativas e difundem esses conhecimentos para que as informações cheguem aos mais profundos recantos do nosso estado”, explica. Além da parceria na propagação de informações, Alessandro explica que o Sindicato também atua em cooperação com outras entidades para atingir determinados nichos do agro. Ele cita como exemplos o trabalho com Associação Pantaneira de Pecuária Orgânica e Sustentável (ABPO) e com a Associação de Recuperação, Conservação e Preservação da Bacia do Guariroba (ARCP Guariroba). Outro viés de atuação, conforme Coelho, é a demanda das entidades públicas para viabilizarem pesquisas voltadas ao setor em instituições como a Embrapa, a Fundect e universidades. O presidente do Sindicato Rural lembrou, inclusive, que Mato Grosso do Sul foi um dos pioneiros no uso de sistemas integrados de produção e ainda lidera o ranking nacional, graças aos estudos desenvolvidos pela Embrapa no estado. Veja o infográfico abaixo. Agronegócio pulsa em Mato Grosso do Sul; dados comprovam. Arte g1 “Uma das principais demandas que temos no setor atualmente é na realização de pesquisas voltadas para o desenvolvimento de insumos biológicos, que possibilitem a redução da aplicação de agroquímicos. Isso é imprescindível, não somente para assegurar uma produção ainda mais sustentável, como para reduzir a dependência brasileira por matérias-primas para a produção desses produtos”. Produtores de água Córrego Saltinho, um dos afluentes do córrego Guariroba, na bacia do Guariroba, com as matas cicliares preservadas demonstra o esforço dos produtores de água da região Anderson Viegas/G1 MS Um dos exemplos da sustentabilidade da produção do agro em Mato Grosso do Sul é o trabalho desenvolvido na Bacia do Guariroba, em Campo Grande. O principal curso de água da bacia, o córrego Guariroba é responsável por 45% do abastecimento de água potável da capital sul-mato-grossense. Em 1995, diante da importância do sistema para o abastecimento da cidade e para assegurar a preservação dos mananciais da bacia, foi criada a Área de Proteção Ambiental (APA) dos Mananciais do Córrego Guariroba, com uma área de 36,2 mil hectares. A pecuária, desde essa época, era a principal atividade econômica na APA. Entretanto, havia problemas como: acesso do gado às nascentes para a dessedentação, degradação de matas ciliares e processos erosivos. Em 1996 foi criada a Associação de Recuperação, Conservação e Preservação da Bacia do Guariroba (ARCP), reunindo os produtores rurais da região. Dos 67 que têm propriedades na APA, cerca de 40 participam regularmente das ações da entidade. Gradativamente os produtores iniciaram um trabalho de recuperação de suas áreas. Em 2009, na busca de alternativas para os problemas decorrentes de processos erosivos e diante da necessidade de recuperação e conservação da bacia foi criado o Programa Manancial Vivo (PMV). O programa desenvolvido pela prefeitura de Campo Grande em parceria com a Agência Nacional de Águas (ANA) e os produtores, acelerou o trabalho de restauração do potencial hídrico na bacia. Ofereceu ainda a uma parte dos produtores uma remuneração pela conservação, o Pagamento por Serviços Ambientais (PSA). Entre as ações implementadas estiveram: Isolamento das áreas de nascentes para evitar a dessedentação do gado; Recuperação de matas ciliares; Instalação de curvas de nível nas áreas de pastagem para evitar o assoreamento e diminuir a velocidade da água da chuva; Recuperação de pastagens degradadas. Quase 26 anos após a criação da ARCP, o presidente da entidade, Claudinei Menezes Pecois, aponta os resultados obtidos com o trabalho dos produtores e dos parceiros. Pecois explica que com a contenção e isolamento de áreas e a recuperação de 64 hectares de APPs, várias nascentes que estavam quase secas voltaram a verter água. Com isso e as outras ações desenvolvidas neste período, aumentou o volume e a qualidade da água de toda a bacia. “Técnicos fizeram medições em toda a bacia e apontaram que na maior parte dela a qualidade da água foi considerada boa e ótima. Além disso, houve um aumento muito grande no volume de água do córrego, mesmo no período de estiagem. Isso possibilitaria, por exemplo, até que a concessionária aumentasse, se houvesse necessidade, a capitação de água do manancial para o abastecimento de Campo Grande”. Apesar da importância deste trabalho, Claudinei acha que falta ainda um reconhecimento maior, pelo poder público em geral e pela população urbana que é a principal beneficiada pelo esforço e dedicação destes verdadeiros produtores de água de Campo Grande. "Poucos sabem de onde vem a água que consomem. Preservar a água sempre foi motivo de satisfação pra nós. É muito gostoso ouvir que somos 'produtores de água'. Mas falta esse reconhecimento na prática”, conclui. Cana: alimento e energia Mecanização foi um marco na história do setor sucroenergético no caminho para a sustentabilidade Atvos/Divulgação Estudos conduzidos pelos professores Maurício Roberto Cherubin, da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” da Universidade de São Paulo (Esalq-USP) e Glaucia Mendes Souza, do Instituto de Química da USP, apontaram que a bioenergia derivada da cana-de-açúcar é uma opção sustentável para enfrentar as mudanças climáticas e, ao mesmo tempo, fornece outros serviços ecossistêmicos essenciais e promove o desenvolvimento socioeconômico. Os resultados foram publicados em janeiro do ano passado pelos pesquisadores em artigo na revista científica Land, com o título “Land Use and Management Effects on Sustainable Sugarcane-Derived Bioenergy”. O trabalho desenvolvido pelos pesquisadores paulistas reforça uma percepção prática vivenciada pelo setor em Mato Grosso do Sul. No estado, o segmento agroindustrial é uma das principais atividades econômicas. Vivenciou uma grande expansão há pouco mais de uma década, mas cresceu alicerçado nos pilares da sustentabilidade. “O setor nos últimos 10 anos está vivendo uma mudança de governança muito grande. Muitas empresas eram familiares. Algumas foram incorporadas a outras. Alguns grupos cresceram e grupos internacionais entraram. Com isso, houve um reforço, uma preocupação ainda maior com aspectos, como o meio ambiente e a área social. Então a sustentabilidade se pratica há muitos anos. Não é uma coisa que veio de agora”, aponta o presidente do Conselho Deliberativo da Associação dos Produtores de Energia de Mato Grosso do Sul (Biosul MS) e diretor-presidente da União Nacional de Bioenergia, Amaury Eduardo Pekelman. Pekelman cita como ponto de ruptura do setor para esse novo modelo de produção a implementação da mecanização nos processos de plantio e principalmente de colheita da cana, eliminando a necessidade da queima e do corte manual feito por trabalhadores. “Foi uma ruptura muito forte no setor. Em Mato Grosso do Sul é tudo mecanizado e o estado tem a liderança nessa parte”, ressalta. Fábio Marquesini, gerente agrícola da usina Santa Luzia, do grupo Atvos, em Nova Alvorada do Sul, reforça a quebra de paradigma que a mecanização representou para o setor e acrescenta uma série de práticas sustentáveis adotadas na unidade e pelo setor de modo em geral. Uma das principais é o manejo racional da palha da cana. O volume deste subproduto varia de 10 a 15 toneladas por hectare cultivado e cerca de 80% fica no campo após a colheita mecanizada para a cobertura vegetal do solo. “Além de ajudar no controle de pragas e doenças, essa palhada me ajuda a combater a erosão, protegendo o solo dos efeitos do clima, como sol, chuva e vento; melhora os atributos do solo, retendo água e induzindo sua infiltração. Então eu só tenho benefício”, diz. O gerente agrícola da usina comenta que outros produtos que antes eram vistos como resíduos do setor passaram a ser encarados com alternativas economicamente viáveis e ambientalmente sustentáveis para a adubação do solo. A vinhaça, líquido residual do processamento do etanol, por exemplo, é rica em potássio. “Temos um plano de aplicação da vinhaça – PAV. Fazemos análise do solo em todas as áreas onde vamos aplicar e em cima desses resultados nós vemos se é compatível em receber ou não a fertirrigação com o produto”. Outro antigo resíduo que se transformou em adubo é a torta de filtro, que é proveniente da filtração do caldo extraído das moendas no filtro rotativo. Fábio comenta que ela tem tanto fósforo, quando potássio, mas que antes de utilizá-la, principalmente no plantio, faz uma complementação com fósforo. Em um contexto em que o Brasil depende da importação de fertilizantes, a utilização pelo setor sucroenergético de biofertilizantes, produzidos pelas próprias unidades usando o que antes era resíduo, se tornou uma grande vantagem econômica e ambiental. “Dependendo da minha análise de solo, tem algumas áreas hoje que se eu fizer somente a fertirrigação, eu não preciso fazer mais nada [ em relação a fertilizantes]. Agora tem áreas que eu preciso complementar com ureia, para fazer nitrogênio. Hoje, virou moeda de ouro, tanto a vinhaça quanto a torta aqui na Santa Luzia. Quem produz soja, quem produz milho não tem isso. Nós temos aqui, esse adubo interno”. Atualmente, dos 60 mil hectares agricultáveis da usina Santa Luzia, cerca de 40%, aproximadamente 22 mil recebem fertirrigação com vinhaça e metade do plantio é feita com a adubação de sua torta de filtro. Toda área de fertirrigação é monitorada constantemente para aplicação no volume adequado de acordo com a necessidade do solo. Para Amaury Pekelman, o grande desafio do setor é aproveitar tudo o que é gerado e, nesse sentido, avançam os estudos e pesquisas para a produção do etanol de segunda geração (2G), que utiliza como matéria-prima a palha ou bagaço da cana (que já é usado também para a produção de bioeletricidade) e do biogás e biometano, a partir da vinhaça. “Isso está crescendo muito. Uma montadora, por exemplo, bancou o projeto de biogás de um dos principais grupos do país, para eles contarem como redução das emissões de carbono. Então, estão surgindo negociações muito interessantes. A tendência, em um futuro próximo, é que todos os caminhões de carregamento de cana seja movidos a biogás. Ou seja, vamos produzir o nosso biogás e alimentar nossos veículos, reduzindo desse modo o consumo de combustível fóssil”. O presidente do Conselho da Biosul MS, entretanto, aponta que a inovação e a pesquisa tem um custo elevado e aposta no Plano Nacional de Biocombustíveis (RenovaBio), com uma ferramenta importante para que o setor e instituições parceiras tenham recursos para esses investimentos. O Programa prevê em sua essência que se dobre o consumo de biocombustíveis até 2030, sem para isso lançar mão de subsídio nem de imposto. Das 17 usinas que operam em Mato Grosso do Sul, todas já são certificadas pelo RenovaBio desde o primeiro ano de funcionamento do programa (2019/2020). Esforço que incluiu o setor entre os mais promissores na neutralização de dióxido de carbono. As usinas aderem voluntariamente ao RenovaBio e por um processo de auditoria monitorado pelo Governo Federal. A partir de um processo rigoroso de avaliação, recebem uma nota de eficiência energético-ambiental. Quanto mais sustentável for o processo de produção de cada unidade, maior será a nota e a conversão em Créditos de Descarbonização (CBIOs). Na prática, o programa reconhece o valor dos biocombustíveis como promotores de sustentabilidade ambiental, monetiza esse valor através dos CBIO, e faz com que distribuidoras de combustíveis fósseis compensem o índice de poluição dos seus produtos por meio da aquisição obrigatória desses créditos. Controle biológico Além de utilizar a tecnologia para desenvolver novos produtos, o setor sucroenergético também investe no controle biológico para enfrentar uma de suas principais pragas, a broca da cana-de-açúcar, reduzindo desse modo o uso de defensivos. A broca pode causar uma série de danos a cana, como: morte dos perfilho na fase inicial da cultura, reduzir a absorção e transportes de nutrientes e água, provocar enfraquecimento, brotação lateral, infecção por fungos e bactérias, redução do ATR e quebra de produtividade. O agente biológico usado contra a broca é a vespa Cotesia flavipes. Ela ataca a broca ainda na fase da lagarta e a enfraquece até levá-la a morte. “Antigamente o pessoal entrava com os copinhos para soltar as vespas no canavial. Hoje, essas vespas já vêm dentro de um copinho que é biodegradável e esse recipiente é colocado em um drone. Esse drone sai com um programa pré estabelecido, que indica o ponto exato para a soltura das vespas”, comenta o gerente agrícola da usina Santa Luzia. Setor sucroenergético aplica uma série de ações sustentáveis em área agrícola Atvos/Divulgação Ainda na área agrícola, o setor sucroenergético adota uma série de práticas sustentáveis como: plantio em curvas de nível, para a contenção de água, e rotação de cultura com a soja e forrageiras, como a crotalária, para fazer a conservação do solo. Segundo dados da Biosul MS, considerando as duas últimas safras, a produção de etanol em Mato Grosso do Sul evitou a emissão de 6,2 milhões de toneladas de dióxido de carbono – o principal gás do efeito estufa, na atmosfera. Apicultura como prática sustentável Mel é rico em nutrientes. g1MS/RenataBarros A apicultura é uma prática secular no Brasil, que a cada dia movimenta mais a economia, gerando empregos e se tornando a principal fonte de renda para muitas pessoas. Em Mato Grosso do Sul, com seus três biomas - Cerrado, Mata Atlântica e Pantanal, e com sua vocação natural para o agro, a atividade desempenha um papel fundamental, para a preservação dos ecossistemas, sendo considerada uma das práticas mais sutentáveis do segmento. A espécie mais comum a ser utilizada na apicultura são a das abelhas africanizadas. g1MS/RenataBarros Conforme a Organização Não Governamental (ONG) Ecologia e Ação (Ecoa), as abelhas são fundamentais na polinização de cerca de 30% de todas as plantas que são usadas na alimentação humana. As abelhas utilizadas na apicultura não se afastam do papel natural delas. Desta forma, a prática torna-se profundamente sustentável e altamente rentável. “A apicultura preenche todos os três requisitos do tripé da sustentabilidade. É uma atividade economicamente viável, é socialmente justa e ambientalmente correta. É uma atividade que não precisa desmatar para produzir. O apicultor depende da natureza em harmonia para ele produzir, então é a atividade que menos impacta”, detalha o biólogo especialista em abelhas, Marcos Wolf. Adriano Adames de Souza, 53 anos, é um conceituado apicultor de Mato Grosso do Sul. Há 30 anos trabalha com abelhas e atualmente vê nelas a única fonte de renda da família. Adriano tem propriedade onde cria abelhas em Campo Grande. g1MS/RenataBarros “Eu sou pioneiro, na minha família não tem ninguém que é apicultor, mas eu me apaixonei pela apicultura há muito tempo. Eu era pecuarista pequeno e todos os anos eu tinha que vender um pouco. Todo ano eu vendia os bezerros e ainda assim, se eu não me apertasse muito, eu tinha que vender uma ou duas vacas para cobrir as coisas”, lembra Adriano. Foi então que ele conheceu a apicultura e fez uma escolha que mudaria a vida dele para sempre. “Eu me dediquei à apicultura, estudei bastante e tomei a decisão de vender tudo o que eu tinha, o meu gado, vendi tudo e investi na apicultura. Hoje eu sou um produtor de mel conceituado, estou no mercado há muitos anos, não tenho mais gado. Não me arrependo nenhum minuto disso”, afirma. Desde a década de 1990, Adriano acompanha as mudanças e evoluções da apicultura no estado. “O apelo pela alimentação saudável tem aumentado muito o consumo per capita de mel. Isso na economia repercute como o dinheiro para o apicultor em si, saúde para quem consome e para os pequenos produtores, que produzem pouco mel, também passa a ser a segunda fonte de renda ou muitas vezes a ser a principal”, comenta. Ele é um dos apicultores assistidos pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) de Mato Grosso do Sul. De acordo com o coordenador técnico do Sistema Famasul, André Nunes, aproximadamente 300 apicultores recebem assistência técnica do Senar/MS em todo o estado. O número de colmeias registradas no estado junto à Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal Vegetal (Iagro) ultrapassa 28 mil. Coordenador técnico explica a importância da apicultura na economia familiar Da parceria com as abelhas não é utilizado somente o mel, mas também a cera e outros produtos. “No estado há entre 10 e 12 indústrias que fazem o envase e compra de todo esse mel. Possuímos indústrias que fazem o processamento de cera, isso gera mão de obra também, é comercializado na indústria cosmética”, cita André. Cera e mel estão entre os produtos produzidos pela empresa de Adriano. g1MS/RenataBarros Criação Para o cultivo de abelhas, vários fatores devem ser levados em consideração, como a localização e organização das colmeias, o manejo e a oferta de alimentos às abelhas. Com relação a este último, é imprescindível analisar a florada local, conforme orienta o biólogo especialista em abelhas, Marcos Wolf. Biólogo especialista em abelhas explica o melhor local para abrigar os insetos “A florada é quando tem um conjunto de plantas florindo ou uma única espécie. Então tem épocas, que seria a nossa primavera, que vai ter uma abundância de flores e a abelha vai guardar o excesso de néctar e transformar em mel e ter um estoque ali, é o momento que a gente colhe”, explica. É importante o local onde as abelhas são criadas ser afastado e sinalizado para evitar acidentes. g1MS/RenataBarros Em períodos de baixa florada, as abelhas ficam sem muitas opções de plantas para colherem o néctar e transformá-lo em mel para se alimentar. Desta forma, outras formas de alimentação podem ser utilizadas. Coordenador técnico detalha técnica de alimentação de abelhas A alimentação das abelhas pode ocorrer de forma orgânica ou com uso de aditivos. g1MS/RenataBarros “Geralmente se utiliza o xarope de açúcar e algum complemento para suprir a parte proteica”, cita o biólogo. Ou então, é fornecido outro tipo de florada às abelhas, como detalha o apicultor Adriano. “Nós temos aqui na apicultura um ciclo de floração, que é na primavera, que é a floração do Cerrado. Quando termina a floração do Cerrado, eu tenho uma propriedade parceira onde a gente tem abelha, que tem o Cerrado e do lado tem uma plantação de eucalipto. Quando termina a primavera, entra a floração do eucalipto, então eu continuo produzindo mel, só que de uma floração diferente”, relata. O biólogo Marcos completa que a florada interfere diretamente no mel produzido. “Se a florada muda, a cor, o gosto do mel muda também. Dessa forma, há uma infinidade de combinações que podem ser exploradas de abelhas e floradas na produção do mel”, destaca. Além dos cuidados com a localização e alimentação das abelhas, a forma em que elas são manejadas requer atenção do apicultor e funcionários. EPIs são fundamentais para o manejo das abelhas. Reprodução/RenataBarros “Primeiramente ele deve ter os equipamentos de proteção individuais, o fumegador, o macacão, botas, luvas, tem que estar bem protegido. Tem que tomar cuidado também com o local que ele vai criar as abelhas, se não é perto de casas, próximo à criação de animais, para não oferecer risco. Tem que ser um local seguro e o manejo sempre usando o fumegador para as abelhas não ficarem irritadas. Fazendo o manejo correto ele mantém a segurança tanto da colônia, quanto dele e de quem tiver em torno também”, explica Marcos. Fumegador auxilia no manejo. Reprodução/RenataBarros Retorno gratificante O apicultor sul-mato-grossense, Adriano Adumes de Souza, ressalta que ao longo dos 30 anos em que atua com abelhas o que prevalece é a gratidão. Atualmente, possui entre 300 e 350 colmeias distribuídas na propriedade que tem e em outras de parceiros. Ele ressalta que a parceria com outros setores é fundamental. “O pecuarista tem a área legal, a área que ele não pode ocupar, e a gente pode colocar abelhas lá e fazer uma parte da ecologia, contribuindo com a natureza. Hoje é uma cadeia que depende do outro”, opina. Abelhas têm olfato 100 vezes mais forte que humanos. Reprodução/RenataBarros Após três décadas, o pequeno pecuarista tornou-se um grande apicultor, gerando renda, trabalho e consciência ambiental. “Eu lembro como se fosse hoje do primeiro balde de 20kg que eu tirei e depois eu lembro do meu primeiro tambor de 200 litros. De lá para cá eu só sei que a coisa vem aumentando a cada ano”, conta com orgulho. Adriano comercializa o mel produzido pela criação de abelhas que tem. Reprodução/RenataBarros Boi orgânico Boi orgânico é realidade no Pantanal. Reprodução A história da pecuária no Pantanal sul-mato-grossense já tem mais de 200 anos. Antes mesmo que a sustentabilidade se transformasse em uma das premissas do agronegócio no estado e no país, já era praticada pelos criadores da região, que adotaram as práticas de manejo do gado às peculiaridades do bioma, conciliando a produção com a preservação ambiental. Dados de várias instituições apontam o Pantanal como o bioma brasileiro com a maior cobertura natural preservada, 87,5% do território - segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) -que inclui vegetal florestal, campestre e áreas úmidas, sendo que cerca de 90% dessas áreas são privadas, ou seja, são mantidas pelos produtores. Para atender as oportunidades de um mercado cada vez mais exigente e a própria evolução da atividade, a produção de gado que em algumas propriedades já sustentável no Pantanal, foi aprimorada para a criação do chamado boi orgânico. A carne orgânica, produzida a partir destes animais, além de ser um produto que engloba muita tecnologia, é um dos tipos de proteína animal mais sustentável. O protocolo de manejo assegura aos criadores uma produção mais consciente com o animal, meio ambiente e consumidores. Além de ser um conceito que ganha cada vez mais adesão. Em 2021 foram quase 40 mil cabeças de gado abatidas dentro do sistema orgânica no Brasil, o triplo do registrado em 2020, conforme a Associação Brasileira de Proteína Orgânica (ABPO). Em crescente, a Carne Orgânica pantaneira, além de conservar a biodiversidade do bioma, vem ganhando novos mercados, como pesquisadores comentam. LEIA TAMBÉM Criadores de gado em MS usam novas estratégias para proteger o meio ambiente Valor da produção agropecuária de MS deve chegar a R$ 82,5 bilhões em 2022, diz ministério Faturamento com produção agropecuária em MS em 2021 pode ter sido 16% maior que o de 2020 Várias regras devem ser seguidas para que o gado seja considerado orgânico. Para que a proteína seja atestada, o produtor rural deve fazer com que a produção siga o sistema “orgânico” e submeter o processo a uma certificadora, que gerará um selo assegurando a produção orgânica ao consumidor. Para que o produtor rural “ganhe” o selo, a certificadora inspeciona a propriedade e elenca cerca de 50 tópicos em que a produção deve seguir, desde a forma de manejo do gado às leis trabalhistas entre os funcionários. Os itens foram elencados pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Para que o boi seja considerado orgânico, o animal deve ser criado livre, solto em pasto sem nenhum tipo de adubação química, já que as gramíneas servem de alimento e, se tiverem algum tipo de agrotóxico, o gado deixa de ser orgânico. Além da pastagem, os animais podem se alimentar com rações, desde que sejam orgânicas e o sal mineral introduzido na dieta não contenha ureia. Os tratamentos de qualquer doença ou feridas nos animais não podem ser feitos com antibióticos, apenas com homeopatia ou fitoterapia. Se o produtor recorrer a qualquer tipo de medicamento convencional, o animal também deixa de ser considerado orgânico. As vacinas obrigatórias são aceitas no processo. Veja o infográfico abaixo. Para especialistas e produtores rurais, boi orgânico ajuda a preservar bioma. Informações: ABPO e Embrapa Pantanal/ Infográfico: José Câmara Carne orgânica é prática pesquisada no Pantanal O gado orgânico é incluso dentro do Pantanal e convive com animais do bioma. Raquel Brunelli-Embrapa/Reprodução O conceito "carne orgânica" nasceu na virada deste século, no início dos anos 2000. O professor e pesquisador da Embrapa Pantanal, Urbano Abreu, foi um dos pioneiros no processo no Brasil. Em 2004, ainda pensando apenas em uma pecuária “sustentável” no Pantanal, os cientistas caminharam os estudos para o que é o boi orgânico hoje. Além da ajuda da Embrapa Pantanal, o projeto teve amparo e auxílio da WWF-Brasil e da ABPO, com o objetivo de estabelecer a pecuária orgânica de forma certificada para os produtores do bioma. Atualmente, Urbano explica que existem seis propriedades rurais na região pantaneira que adotam, exclusivamente, este tipo de sistema em Mato Grosso do Sul. Urbano comenta que a carne orgânica é um produto saudável, certificado e produzido com o máximo de responsabilidade social, levando em consideração a saúde e bem estar dos animais e o meio ambiente. “O processo de produção - desde o nascimento, criação, engorda, abate e destino final - é rastreado e auditado. Isso garante uma confiabilidade enorme aos consumidores, além da transparência no processo. A pessoa sabe que animal é aquele que está no prato dela, é confiança”. Não é apenas o consumidor que possuí vantagens ao comer um produto mais sustentável e responsável com o meio ambiente. O pecuarista da região do Pantanal que se dedica à produção de uma proteína sustentável pode ter isenção de até 50% do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços (ICMS), e aqueles que produzem carne orgânica, a isenção pode chegar a 67%. O gado se alimenta de pastagem sem agrotóxicos. Raquel Brunelli - Embrapa/ Reprodução A pecuária é a principal atividade econômica da região pantaneira e vem sendo desenvolvida de maneira extensiva há mais de 200 anos. "A crescente produção de carne orgânica e sustentável pode ser uma opção capaz de contribuir para que se mantenham as boas condições de conservação ambiental do bioma”, afirma o pesquisador. A carne orgânica ainda é destinada a um público específico, como Urbano destrincha. Este nicho de público busca por práticas socialmente e ambientalmente corretas e que possuem preocupações com a utilização de aditivos químicos nos produtos. “Os processos de pecuária orgânica seguem critérios de qualidade que incentivam a conservação ambiental, a saúde humana, os direitos dos trabalhadores e o bem-estar animal. Em especial, para os certificados premium e gourmet e de vínculo com a origem”, finaliza o pesquisador. Paixão pelo Pantanal atrelada ao empreendedorismo e sustentabilidade Carne orgânica é produto socialmente e ambientalmente correto, aponta estudos Foi lá no início dos anos 2000 que o produtor rural Leonardo Barros procurou o irmão, Luciano Barros, com a proposta de mudar alguns rumos das fazendas que a família tem no Pantanal. Juntos, separaram uma das propriedades para “testar realmente se o negócio do boi orgânico ia dar certo. Deu!”. Atualmente, a empresa de Leonardo faz todo o processo para comercialização da proteína animal, entenda um pouco mais no vídeo acima. “A gente estava olhando o mercado e as pessoas estavam procurando um produto sustentável, que tivesse rastreabilidade e fosse amigo do meio ambiente. Nós estamos no Pantanal há 200 anos. Fomo em busca da certificação. Meu irmão era zootecnista, acostumado no remédio [aditivos químicos], achou que não ia dar certo. Partimos para um teste. Início dos anos 2000, pegamos uma pequena fazenda, certificamos e começamos a levar a sério”, explicou Leonardo sobre o início da lida com os bois orgânicos. Atualmente são três propriedades rurais da família dedicas exclusivamente à produção de animais orgânicos. Além das propriedades rurais, o empresário e proprietário rural possui um complexo que gere todo o processo da proteína animal: desde a criação à venda em gôndolas. A proteína animal é processada em Campo Grande. Bio Carnes/Reprodução A partir de 2019, Leonardo, junto da sobrinha Mariana Barros, ampliaram o ramo e começaram a industrializar o produto. Antes, alugando o espaço para o processamento do alimento, hoje, são proprietários de um pequeno frigorífico em Campo Grande que processa cerca de 30 toneladas de carne orgânica, da desossa à embalagem dos produtos que vão para vários locais do Brasil. “A gente compra animais de outros associados. 80% é de gado próprio. Nós vendemos carne orgânica do Pantanal. Os grandes centros, como São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília já existem um grande público que consome este produto. A grande maioria do nosso produto vai para fora, 90%”, comenta Mariana. A empresa familiar mescla o empreendedorismo com a paixão pelo Pantanal e pelo boi pantaneiro. Em contato direto com o bioma, Leonardo explica que os produtos vendidos levam uma mensagem de consumo consciente e de que o bioma oferece importantes contribuições. Família compartilha empreendedorismo e paixão pelo Pantanal há décadas “O Pantanal é nossa vida. A Mariana foi para o Pantanal mamando e morou lá três anos”, disse Leonardo, e Mariana complementou a fala do tio: “Pantanal é sinônimo de amor, eu lembro do meu pai falando do Pantanal e por isso me emociono. É um amor muito grande que temos por este lugar”. Assista ao vídeo acima. Entre as missões da empresa está: “levar um pedaço do Pantanal para casa das pessoas através da carne orgânica pantaneira”. Leonardo explica que as alterações na produção da proteína animal fazem com que o produto possua diferenças daqueles convencionais já ofertados no mercado. A empresa possuí os seguintes princípios: Garantia de um manejo natural e imbuindo a tradição pantaneira; Bem-estar animal; Preservação ambiental; Ganho social; Manutenção da cultura do homem pantaneiro; Aplicação de novas tecnologias adaptadas. “Nós falamos de um ambiente em que a Embrapa já catalogou mais de 30 tipos de gramínea. Nossos animais vivem e comem as mesmas gramíneas dos herbívoros que vivem no Pantanal, é um produto especial. A gente trabalha com o que acredita, vendemos aquilo que vivemos”, comenta Leonardo. Carnes são embaladas a vácuo, algumas destinadas para consumo em churrasco e outros para o dia a dia. José Câmara/g1 MS Mariana afirma que o tratamento dos animais nas propriedades destinadas ao sistema orgânico é feito da forma correta em relação às exigências. “Processo empático com animal. Os animais são criados livres, com outros bichos no Pantanal, comendo a vegetação nativa. Eles são criados da forma mais natural possível, no seu habitat possível”. Para que esse tratamento fosse possível, lá no começo, Leonardo teve que retirar todos os indícios de agrotóxicos das propriedades, já que os animais não podem comer pastagem com aditivo químico. O pecuarista comenta que além do ponto dos aditivos, a busca por tratamentos fitoterápicos e homeopáticos foram cruciais para que as fazendas fossem categorizadas como orgânicas. Em Campo Grande, além da indústria, a Bio Carnes conta com uma boutique que oferece atendimento aos consumidores de maneira individualizada. Além dos cortes embalados para consumo imediato, as carnes são vendias em peças para churrasco e kits de consumo semanal. No açougue são comercializados carnes do tipo sustentável, que abrange outras regras menos rígidas em comparação às do processo orgânico. “As pessoas acham que a carne orgânica é cara, mas a nossa não. A nossa carne está no patamar das outras casas de carnes ‘premium’. Como fazemos todo o processo da proteína, nós conseguimos comercializá-la com o preço mais em conta. Queremos que o nosso público aumente em Campo Grande e que as pessoas da nossa terra, o Pantanal, passe a consumir mais o produto que é daqui”, finalizou Mariana. Florestas plantadas: tudo é reaproveitado Plantio de eucalipto em Três Lagoas (MS) Eldorado Brasil/ Reprodução A cadeia de produção da celulose é umas das principais da economia sul-mato-grossense. O estado, inclusive, é o maior exportador brasileiro de celulose de fibra curta. Somente nos quatro primeiros meses do ano embarcou 1,3 milhão de toneladas para outros países, movimentando US$ 443,9 milhões, o equivalente a R$ 2,1 bilhões. Os dados são apresentados pelo Ministério da Economia. Entretanto, a cadeia depende da matéria-prima produzida no campo: as florestas cultivadas (silvicultura). O estado tem mais de 1 milhão de hectares cultivados, principalmente com eucalipto. A produção florestal é uma atividade focada na sustentabilidade e contribui com inúmeros benefícios para o agronegócio, como: a absorção de carbono na atmosfera, melhora da qualidade do solo e da água, redução da pressão do desmatamento e degradação de florestas naturais, e outros proveitos para o meio ambiente. De acordo com o Indústria Brasileira de Árvores (Ibá), o Brasil é o segundo país com a maior área de florestas do mundo, possuindo cerca de 7,84 milhões de hectares de florestas cultivadas (1 hectare equivale a 1 campo de futebol oficial). Desse total, 5,6 milhões de hectares são florestas plantadas sustentáveis de espécies de eucalipto ou pinus. O engenheiro florestal Marcelo Morais de Freitas, explica que as árvores se desenvolvem aliando produtividade, equilíbrio do ecossistema e a melhoria ambiental das comunidades ao seu entorno. “A silvicultura tem a característica de ser um posto de trabalho permanente, uma floresta tem atividades em todos os ciclos. Na área florestal tudo é reaproveitado, todos os processos podem ser otimizados e bem pensado, visando a produção sustentável”, disse. Segundo dados do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), divulgados no último Boletim Casa Rural da Federação de Agricultura e Pecuária (Famasul), a celulose exportada no primeiro trimestre de 2022, corresponde a 99,13%, sendo o principal produto florestal exportado em Mato Grosso do Sul. Investimento bilionário em fábrica de celulose deve fazer cidade de MS 'nascer de novo' Sem risco de sofrer com a escassez de madeira, o estado conta com uma grande reserva da matéria prima para abastecer fábricas de celulose que se instalam em Mato Grosso do Sul. Além de gerar desenvolvimento, a atividade produtiva pode e deve ser aliada à preservação do meio ambiente. A Eldorado Brasil é uma empresa de base florestal, com 250 mil hectares de florestas plantadas no Mato Grosso do Sul e outros 115 mil hectares de conservação. Em Três Lagoas (MS) - a 325 quilômetros de Campo Grande - a companhia opera uma fábrica com capacidade para produzir em ritmo de 1,8 milhão de toneladas de celulose branqueada por ano e a usina termelétrica Onça Pintada. Eldorado Brasil produz mais de 1,8 milhão de toneladas de celulose branqueada por ano Eldorado Brasil/ Reprodução Além das áreas destinadas as florestas plantadas, a Eldorado possui aproximadamente 30% do total das áreas destinadas a conservação ambiental contemplando Áreas de Preservação Permanente (APP), Áreas de Reserva Legal (ARL) e outras Áreas de Interesse Ecológico. A empresa conquistou as principais certificações nacionais e internacionais, atestando a adoção de práticas socioambientais responsáveis em toda cadeia produtiva. O gerente de sustentabilidade da empresa de celulose, Fábio de Paula, esclarece que produtos de origem florestal estão presentes no nosso dia a dia e vão desde os mais evidentes, como papel e móveis, até produtos de beleza, medicamentos, acessórios, pneus, alimentos e roupas. “A madeira produz a celulose e a fábrica extrai o produto final, que é a celulose branqueada de eucalipto. Através dela é possível produzir o papel, alimentos, curativos, máscaras, papel moeda, é uma infinidade de produtos”, disse. Exemplos de produtos de origem de florestas plantadas Divulgação Energia verde O processo de extração da celulose gera toneladas de resíduos passíveis de serem reaproveitados, o que contribui para agregar valor às cadeias produtivas e diminuir os impactos ambientais. A Eldorado Brasil, por meio de um projeto pioneiro no país, gera energia verde tendo como matéria-prima a biomassa produzida a partir de tocos e raízes de eucaliptos que antes ficavam no solo e eram descartados. Veja vídeo abaixo. Veja o passo a passo da produção de biomassa para geração de energia Com isso, as partes de madeira das árvores que não são empregadas na fabricação de celulose, geram energia limpa e renovável. Para a geração de energia é previsto o uso de mil toneladas de biomassa por dia. O gerente de sustentabilidade reitera que através do reaproveitamento de resíduos do eucalipto que seriam descartados, é possível produzir energia 100% limpa e renovável, suficiente para abastecer uma cidade de 700 mil habitantes, o que equivale a seis vezes a população de Três Lagoas. Segundo ele, uma árvore é auto suficiente para produzir energia renovável, tornando a produção ainda mais eficiente e sustentável, dentro do conceito da economia circular. “A energia verde vem proveniente do eucalipto, ou seja, é uma energia renovável. Temos a possibilidade de fazer o maior aproveitamento da floresta”, destaca. Biomassa que é produzida do eucalipto Eldorado Brasil/ Reprodução Fábio reitera que são utilizadas máquinas para realizar a pré-trituração de tocos de eucalipto, o peneiramento para remoção das impurezas e a trituração final, visando o maior aproveitamento da produção florestal. Segundo ele, novas tecnologias têm aumentado a eficiência da produção florestal e diminuído ainda mais seu impacto ambiental. Veja o infográfico abaixo. Para especialistas, a produção de biomassa florestal para energia é mais uma alternativa sustentável através das arvores Informações: Eldorado Brasil/ Infográfico: Rafaela Moreira “Além da celulose, é possível gerar energia limpa atrás das árvores, contribuindo para a matriz elétrica do Brasil e a redução das mudanças climáticas. Através do arranquio de tocos e raízes de eucalipto não utilizados é produzida uma biomassa que também é encaminhada para as usinas termelétricas para a produção energia verde. Com isso, temos uma matriz energética muito sustentável, otimizando as etapas da produção florestal e a redução das mudanças climáticas”. Floresta de eucalipto gera energia de forma sustentável Eldorado Brasil/ Reprodução Além da biomassa de tocos, através das árvores é possível produzir a biomassa de madeira inservível, que consiste no reaproveitamento de madeira que sofreu alguma avaria, como pragas, doenças, incêndios e mortes naturais, e que não serve para o processo produtivo de celulose. Reflorestamento Essenciais no ecossistema para frear os efeitos das mudanças climáticas e desastres naturais, as árvores realizam a fotossíntese resultando na produção de oxigênio para a vida na terra. Durante anos a prática de desmatamento sem grandes preocupações devastou a produção florestal, em razão disso, ações para equilibrar o ritmo da extração de madeiras têm sido cada vez mais necessárias. Adoção de práticas sustentáveis na produção florestal tem importância vital na questão da emissão de CO² à atmosfera. Eldorado Brasil/ Reprodução O engenheiro florestal Marcelo Morais de Freitas avalia que o reflorestamento é sinônimo de preservação ambiental e também de bem-estar da população. Ele reitera que além de abastecer fábricas na produção da celulose e energia verde, as árvores em constante crescimento, sequestram carbono da atmosfera através do processo de fotossíntese. Entre os impactos positivos da sustentabilidade florestal, o especialista destaca a manutenção da cobertura vegetal, a conservação de habitats animais e o equilíbrio do regime hídrico, além da manutenção de nutrientes e permeabilidade do solo. Segundo ele, a utilização de florestas plantadas pela própria indústria garante que florestas nativas sejam preservadas. Além disso, a preservação da biodiversidade é assegurada pelo uso de técnicas específicas de plantio e corredores de vegetação nativa. “O processo de crescimento do eucalipto leva em torno de seis a sete anos, durante esse período a árvore tem o poder de capturar o carbono da atmosfera e liberar o oxigênio, o que é extremamente sustentável. Além disso, com o aumento da floresta e conservação de áreas naturais, podemos contribuir com a flora e também com o avistamento de animais”, destaca. Com isso, é fato que o consumo inteligente de recursos florestais e a produção de energia verde geram benefícios para toda sociedade. Pássaro raro é avistado em plantação de eucalipto em Três Lagoas Eldorado Brasil/ Reprodução Agricultura visa boas práticas Mato Grosso do Sul é o quarto maior produtor brasileiro de milho Aprosoja-MS/Divulgação A demanda por alimentos cresce a cada dia em todo mundo. Por isso, a agricultura precisa cada vez mais de técnicas de produção sustentáveis que asseguram rentabilidade aos produtores, alimentos de qualidade para os consumidores e respeito a natureza, de modo a assegurar a curto e longo prazo a continuidade da produção sem a degradação do solo, do ar ou dos recursos hídricos. Em Mato Grosso do Sul, um dos grandes produtores brasileiros de grãos (quinto de soja e quarto de milho), a agricultura deu um salto na última década, graças a inovação, tecnologia e investimento dos agricultores, mas sempre com a preocupação de fazer o manejo adequado dos recursos naturais, evitando a degradação ambiental. A área cultivada com grãos, por exemplo, cresceu, em uma década (da safra 2011/2012 a 2021/2022) 80,1%, de acordo com o Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), passando de 3,256 milhões de hectares para 5,891 milhões de hectares, enquanto que a produção aumentou 77,8%, de 11,610 milhões de toneladas para 20,650 milhões de toneladas. Solo de Camapuã que possui plantio direto e também rotatividade. Agricult/Reprodução Uma das grandes ferramentas utilizadas pelos produtores são as técnicas de manejo sustentável do solo, o que inclui plantio direto, plantio em curvas de nível, rotação de cultura, uso de sistemas integrados, preservação de áreas de proteção permanentes (APPs), recuperação de áreas degradadas e de nascentes e ainda reposição de matéria orgânica, entre outras. Ao comentar sobre as técnicas de manejo, o agrônomo e especialista em ciência de solos da Embrapa Gado de Corte, Manuel Macedo, destacou a importância do plantio direto e depois da rotação de culturas para a recuperação de áreas degradas. “O plantio direto é uma das técnicas que se tem utilizado para se ter uma agricultura mais sustentável porque a lavoura de grãos, por exemplo, ela melhora a fertilidade do solo. A maioria dos solos do Brasil Central e da região do Cerrado são bastante fracos, pois são solos ácidos e com baixa fertilidade. Então a agricultura recupera a fertilidade do solo e pela venda dos grãos o custo é reduzido, já que a utilização de insumos na pastagem pode ser muito caro para o pecuarista", afirmou o especialista. A rotação com pastagem tem também um papel importante de proteger o solo da erosão. Além de melhorar as propriedades físicas do solo, permite um melhor escoamento de água, uma infiltração mais eficiente e possibilita que as plantas desenvolvam um sistema radicular mais profuso e profundo. Herança de boas práticas Já na quinta geração de produtores rurais, o agrônomo Mateus Arantes, de 49 anos, explica que manter a sustentabilidade na agricultura, com o tripé econômico, social e ambiental, sempre fez parte da tradição de sua família. “O meu pai já tinha essa visão sustentável de manejo de pasto, além de manter sempre as nascentes cercadas e protegidas e de proporcionar o melhor para o funcionário. Na minha família, acreditamos que são as pessoas que fazem a sustentabilidade, então essa preocupação vem desde o meu avô”, explicou. Para a família Arantes, o sucesso vem de um trabalho coletivo, em que os colaboradores são bem assistidos, para que a produção gere renda e esse lucro possa ser revertido na melhoria da produção, aumento da produtividade e preservação ambiental. “Entre as práticas sustentáveis que adotamos na fazenda, em primeiro lugar temos a reserva ambienta. Não abrimos mão de ter essas áreas de preservação permanente, rios, nascentes e a própria reserva legal. Pensamos sempre duas vezes antes de arrancar uma árvore na área de produção. E em segundo lugar, como principal técnica na agricultura, usamos o plantio direto”. Para o agrônomo, a grande diferença dos solos antigos para os atuais, é o conhecimento. ”Na época do meu vô ele não sabia, não tinha uma técnica, era tudo feito na base da grade, do arado, não havia um manejo correto com o gado, não tinha um manejo correto com a agricultura. Então os bois degradavam muito rápido as pastagens por falta de conhecimento de como manejar”. Especialista explica sobre recuperação de pastagem Recursos sustentáveis Do ponto de vista ambiental, com a agricultura sustentável se protege mais o solo e os recursos hidrícos, melhorando assim a biodiversidade. “Como se altera o ciclo das culturas a fauna e a flora do solo se diversificam de modo que a produção fica numa posição meio intermediária entre a pastagem permanente e a vegetação natural. De alguma maneira nós já tiramos a vegetação natural para produzir alimentos, agora o que temos que fazer é melhorar a situação dos solos onde o homem já abriu, para que a gente produza grãos, fibras, energia de forma eficiente e sustentável”, explica Manuel Macedo. O especialista em solos aponta que é visual a mudança nas lavouras do estado com a melhoria da qualidade dos solos. “Se viajarmos para o sul do estado, é surpreendente ver como o solo está coberto. Foi plantado soja, agora plantaram milho com a braquiária, então daqui a pouco o milho vai ficar maduro, vai ser colhido e vai ficar a braquiária. O terreno vai continuar coberto e verde nas áreas de integração até meados de agosto, quando começa o período de seca mais intensa, quando o déficit hídrico é mais elevado. Antes, nessa mesma época, o terreno ficava descoberto, as áreas todas revolvidas, gradeadas, hoje já não é mais assim. Então o impacto em toda essa região foi muito grande. Nesse quesito MS melhorou drasticamente”, apresenta Manuel. Integrar para avançar Fazenda Cerejo, em Angélica, é exemplo da sustentabilidade com integração entre culturas Fazenda Cerejo A integração é um dos principais instrumentos da produção sustentável no agronegócio sul-mato-grossense. O sistema oferece uma série de vantagens aos produtores, como: otimização do uso da terra, aproveitamento de todo o potencial do solo e combinação de vários modelos e culturas, em um mesmo espaço. A intensificação, dependendo da modalidade adotada, possibilita a produção em uma mesma área de: grãos, fibras, madeira, energia, leite ou carne, e que a associação pode ser feita de forma consorciada, em sucessão ou em rotação. Mato Grosso do Sul, que expandiu sua produção baseada na conversão de áreas, principalmente em espaços que eram ocupados anteriormente somente por pastagens, lidera o ranking nacional de uso da integração. O estado tem 3,169 milhões de hectares ocupados com esse modelo de produção, segundo a Rede ILPF – associação formada por empresas e pela Embrapa para difundir esses sistemas. A área representa 18,1% do total do pais, que chega a 17,431 milhões de hectares. Agregar diferentes culturas em áreas comum tem sido a estratégia para se obter mais lucros, melhor aproveitamento ambiental e ainda reduzir perdas. Esse equilíbrio do que é produzido em uma mesma propriedade rural tem feito a diferença em prol da sustentabilidade ambiental. É o caso do produtor rural Gabriel Garcia Nascimento. Na Fazenda Cerejo, em Angélica, os 7 mil hectares tradicionalmente voltados para a pecuária foram dando espaço para a soja, e com o tempo, também para a cana-de-açúcar. “No início da década de 90 a gente começou a introduzir novas tecnologias. Nas áreas de pecuária a gente entrava com soja. E fomos reformando pasto, aumentando a quantidade de bebedouros. Em 2007 foi construída a usina e a gente começou a plantar cana”, resume o produtor rural. Pecuária na Fazenda Cerejo, em Angélica Fazenda Cerejo A experiência inicial deu certo e hoje, a fazenda trabalha com a integração entre as três culturas. Uma vai ajudando a outra. Do pasto ao bolso dos trabalhadores, passando pela sustentabilidade ambiental. “Acaba tendo renda do boi, da cana, da soja. Agora, com as áreas de irrigação, a gente tem o milho também. Então, dificilmente você tem todas as culturas com preço baixo. Todas elas acabam se complementando, e, no fim do ano, o faturamento acaba aumentando”, fala Gabriel. A preocupação com a proteção ambiental também é outra razão para a o trabalho de integração entre as culturas. O produtor define: “Da forma que a gente vem trabalhando, os dejetos acabam se transformando em adubo. Então, você não usa o químico”. “Por exemplo: a gente planta soja de novembro a março. Na mesma área, a gente coloca a pecuária de março até novembro. Nas áreas de cana, eu faço um ciclo de cinco anos. Depois, um ciclo de soja. A soja fixa nitrogênio no solo, que também serve depois como adubo para a cana, coloca pasto ali. Então você acaba aumentando sua renda e o pasto de inverno gera um pouco de potássio, que é uma necessidade depois da soja. Depois, volta para a cana outra vez”. A soja foi introduzida após a pecuária Fazenda Cerejo Todo esse ciclo de integração entre as culturas na fazenda resulta, em média, em 200 toneladas anualmente de cana. Produto que é vendido para a economia local. Na pecuária, a produção é de 15 arrobas por hectare/ano, que vão para exportação. Quantidade bem superior a média nacional, que é de duas a três arrobas. As 60 sacas por hectare/ano, de soja, também são vendidas para o mercado internacional. Em relação ao milho, o que é produzido é comercializado com cooperativas da região. “Com a pandemia, o agro demonstrou ser o motor do país. Eu acho que ainda mais com todos esses olhares para a China, cada vez mais tem se visto a necessidade de se provar essa sustentabilidade do agro. E uma das coisas que a gente tem focado bastante é o conceito de economia circular, de sustentabilidade. Para se ter menos problema com o meio ambiente e produzir produtos sustentáveis”, resume Gabriel, sobre o trabalho desenvolvido pela equipe dele, que vai, desde funcionários administrativos aos de campo, passando pelas máquinas de última geração. Colheita da cana-de-açúcar na fazenda Fazenda Cerejo Especialistas aponta que as possibilidades dos sistemas integrados é muito grande, porque possibilita o desenvolvimento simultâneo de várias atividades e também a aplicação em propriedades rurais de todos os portes: pequenas, médias e grandes. Veja vídeos de Mato Grosso do Sul