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  1. Adepta do lema "Falem mal, mas falem de mim", Anitta sabe ser e gerar notícia. Há alguns dias, a artista carioca revelou em entrevista a intenção de gravar um álbum de bossa nova. Pode ser que esse disco jamais saia do plano das ideias. Mas a revelação do simples desejo de fazê-lo gerou (mais) manchetes para a cantora e compositora carioca. Anitta gosta de estar na mídia e trabalha o tempo todo para permanecer nela. Nenhuma declaração ou revelação é feita ao acaso. Pode até parecer espontânea, mas é um gesto calculado de marketing. Assim como o vazamento de uma foto, clipe ou trecho de música e/ou clipe inédito. Mal nenhum há nisso. Anitta somente faz a lição aprendida com mestras como Madonna, cujo próximo álbum, Madame X, sairá em 14 de junho com a participação de Anitta na regravação do funk português Faz gostoso (Blaya, Mc Zuka, Tyoz, No Maka e Stego, 2018). E ela, Anitta, sabe que a única diferença do marketing de ontem para o de hoje é que, nos tempos voláteis e ágeis das redes sociais, é preciso gerar novidades em ritmo frenético para se manter nas manchetes. Pode até ser que Anitta pretenda mesmo fazer um álbum de bossa nova, gênero com o qual flertou – bem de longe... – na gravação da música Will I see you (Anitta, Poo Bear, Elijah Baker e Youri ter Stege), lançada em setembro de 2017. Só que isso pouco importa no momento. Anitta foi notícia ao anunciar tal intenção e, se ela é notícia, o recém-lançado quarto álbum da artista, Kisses, pega carona na notícia. Assim tem caminhado a humanidade pop... Editoria de Arte / G1

  2. Biografia do ator e diretor de teatro detalha o fascínio exercido pela cantora no artista. "Elias, vem ouvir aquela moça da Bahia que você tanto gosta". Foram muitas as vezes que Elias Andreato ouviu da boca da mãe, na segunda metade dos anos 1960, uma frase como essa. A moça da Bahia era Maria Bethânia, cantora que despontara para o estrelato, aos 19 anos, ao substituir Nara Leão (1942 – 1989) no espetáculo carioca Opinião (1964 / 1965) a partir de 13 de fevereiro de 1965. Alzira Andreato chamava o filho porque já tinha ciência do fascínio exercido pela voz de Bethânia no adolescente nascido em março de 1955 na interiorana cidade paranaense de Rolândia (PR). Esse fascínio, que deu norte à vida de Elias e o motivou a iniciar carreira no teatro, perpassa todas as 176 páginas da biografia do ator e diretor, Elias Andreato – A máscara do improvável (Editora HUMANAletra), primorosamente escrita pelo jornalista gaúcho Dirceu Alves Jr. e lançada neste mês de abril de 2019. Elias Andreato conta no livro como teve a vocação profissional despertada ao ver Maria Bethânia no show 'Rosa dos ventos' Frederico Evaristo / Divulgação Tanto que o primeiro capítulo do livro, Amanheceu o espetáculo, descreve em minúcias a sensação de arrebatamento e descobrimento de si mesmo tida por Elias ao assistir ao espetáculo Rosa dos ventos – O show encantado, de Bethânia, no Teatro Maria Della Costa, na cidade de São Paulo (SP), para onde ele migrara com a família, trazendo na bagagem somente a incerteza do futuro desconhecido. Era a primeira vez que Elias entrava em um teatro, a convite de amiga que pagou o ingresso. Era a primeira vez que Elias via Bethânia, até então somente uma voz também improvável que chegava ao jovem, já vitoriosa, pelas ondas do rádio, já que a cantora, avessa aos festivais, nunca teve a imagem exaustivamente difundida pela televisão como os colegas da primeira geração da MPB. E ele, Elias, a viu nessa primeira vez em show que fez história na vida da própria intérprete baiana desde que estreou em julho de 1971 na cidade do Rio de Janeiro (RJ). Ao se deparar com a dramaticidade de Bethânia em Rosa dos ventos, show em que a cantora moldou a personalidade teatral sob a batuta do diretor Fauzi Arap (1938 – 2013), Elias teve despertada a vocação para o palco, dando os primeiros passos numa vida que se transformou numa obra de arte, como sintetiza com maestria a jornalista Marília Gabriela no prefácio do livro. Uma vida que deu tantas voltas a ponto de, como relata Dirceu Alves Jr., Elias ter recebido em 2009 um improvável convite da própria Maria Bethânia para dirigir a intérprete no recital Bethânia e as palavras, espetáculo em que, invertendo a ordem habitual dos shows da cantora, a música entrava somente para alinhavar a fina costura da poesia e dos textos em prosa, motes do recital. O convite foi feito após a cantora assistir a uma apresentação do monólogo Doido (2009), escrito e protagonizado por Elias na cidade de São Paulo (SP). Com misto de incredulidade e insegurança, o artista aceitou o convite para dirigir Bethânia, com quem construiu, a partir dos ensaios, uma relação de intimidade respeitosa e por vezes distante. A ponto de não haver uma foto oficial do diretor com a cantora que o conduzira aos palcos numa noite já distante de 1972. De lá para cá, a moça da Bahia se transformara na senhora da cena do Brasil, referência sempre tão presente na vida do ator que, certa vez, o próprio Fauzi Arap, condutor do barco de Bethânia nos mares cênicos, sugeriu a Elias que ele se portasse no palco menos como Bethânia e mais como Dercy Gonçalves (1907 – 2008). O conselho foi acatado com humildade e sabedoria pelo ator ainda que, no íntimo, Elias Andreato soubesse que nunca iria realmente se desvincular da influência decisiva da moça da Bahia na vida e obra daquele jovem encantado em 1972 que faria muita arte, anulando probabilidades. Editoria de Arte / G1

  3. Banda russa contou com dançarinas trans e drag queen Alma Negrot em apresentação com mais manifestação do que música, no encerramento da turnê na América do Sul. Pussy Riot se apresenta em São Paulo Fábio Tito/G1 Show internacional com ingressos a R$ 100 em São Paulo costuma ser garantia de público fiel colado na grade cantando várias músicas a plenos pulmões. Mas não foi bem esse o cenário no show do Pussy Riot na noite deste sábado (20). A banda russa foi a grande headliner do festival Garotas à Frente, realizado no Fabrique Club, que fica na Barra Funda. VEJA FOTOS DO SHOW Mais famoso por seus protestos políticos, que já levaram até à prisão de algumas integrantes, o grupo garantiu gritos empolgados principalmente quando ergueu faixa contra Bolsonaro e quando voltou a pedir justiça por Marielle Franco, como fez de forma mais incisiva na véspera em show no Recife. Com dançarinas trans e a participação da drag queen Alma Negrot no palco, as russas pareciam fazer ode à diversidade, o que foi muito bem aceito pelo público do festival. Pussy Riot se apresenta em São Paulo Fábio Tito/G1 O evento também contou com apresentações das bandas Sapataria e Bloody Mary Una Chica Band, além de exposições, workshops e lançamentos de livros, tudo no melhor clima fancha de ser. A formação do Pussy Riot varia de show para show, e no Brasil quem subiu à frente foi seu rosto mais famoso, Nadya Tolokonnikova. Assim como aconteceu no resto da turnê sul-americana. No próprio sábado, o grupo postou uma foto de Nádia com Mônica Benício, a viúva da vereadora assassinada Marielle Franco, com mensagens de apoio. Isso depois de Mônica subir ao palco com a banda durante apresentação no festival Abril pro Rock, no Recife, ainda na véspera. Initial plugin text Quem viu provavelmente imaginou que havia zero chance de que o show em São Paulo fosse se limitar às críticas a Putin e Trump, seus alvos mais "clássicos" desde o surgimento da banda. Não foi bem o que se viu ao longo dos quase 90 minutos de show. Ok, havia sim muitas mensagens de protesto no telão ao fundo acompanhando as músicas. Mas, diferente do que ocorreu no Recife, não houve nada nem próximo a um momento senta-que-lá-vem-textão (mesmo que na voz de uma convidada). Além de Nádia erguendo a faixa contra o presidente brasileiro com o dedo do meio em riste, no final a drag Alma Negrot fez homenagem a Marielle mostrando uma camiseta com a frase em inglês: "Who killed Marielle?". Pussy Riot se apresenta em São Paulo Fábio Tito/G1 A apresentação em São Paulo foi a última da turnê pela América Latina, que também incluiu Peru, Uruguai, Argentina e Chile. O som de fato tem muito do punk rock e do movimento feminista Riot Grrrl, mas elas também estão dando mais atenção à música eletrônica e às canções tradicionais da Rússia em shows mais recentes. Pussy Riot A banda ficou famosa por realizar manifestações políticas em vários lugares do mundo, usando máscaras (balaclavas) coloridas, para exigir a liberdade sexual feminina, os direitos civis e contra o governo de Vladimir Putin e posteriormente também contra Donald Trump. Na Copa do Mundo da Rússia, em 2018, integrantes da banda invadiram o gramado do estádio, em Moscou, na final entre França e Croácia.  Pussy Riot se apresenta em São Paulo Fábio Tito/G1 Pussy Riot se apresenta em São Paulo Fábio Tito/G1

  4. Grupo das ativistas russas se apresentou em São Paulo neste sábado (20). Pussy Riot se apresenta em São Paulo Fábio Tito/G1 Pussy Riot se apresenta em São Paulo Fábio Tito/G1 Pussy Riot se apresenta em São Paulo Fábio Tito/G1 Pussy Riot se apresenta em São Paulo Fábio Tito/G1 Pussy Riot se apresenta em São Paulo Fábio Tito/G1 Pussy Riot se apresenta em São Paulo Fábio Tito/G1 Pussy Riot se apresenta em São Paulo Fábio Tito/G1 Pussy Riot se apresenta em São Paulo Fábio Tito/G1

  5. Dedicado ao jornalista Jorge Bastos Moreno, o álbum 'Giro' sai na próxima sexta-feira com 11 músicas do compositor. Roberta Sá expressa gratidão a Gilberto Gil, na contracapa interna da edição em CD do álbum Giro, com o argumento de que o compositor baiano ressignificou o canto dessa intérprete que despontou em 2005 com disco irretocável, Braseiro, em que a voz soava tão leve quanto brejeira. O agradecimento se justifica com a audição de Giro, álbum que será lançado na próxima sexta-feira, 26 de abril, pela gravadora Deck. É uma outra Roberta Sá que dá voz às 11 músicas inéditas ofertadas à artista por Gil, apresentando repertório que gravita entre sambas e xotes. A emissão está mais firme, encorpada, estranha para quem se deixou seduzir pelo canto delgado e límpido de Roberta até Segunda pele (2012), último grande álbum da discografia dessa ótima cantora que decepcionou no anterior Delírio (2015) com algumas interpretações equivocadas. Roberta Sá assina quatro músicas em parceria com Gilberto Gil no álbum 'Giro' Nana Moraes / Divulgação / Facebook Roberta Sá Há, entre os efeitos do MPC de Domenico Lancellotti, resquícios da brejeirice e da vivacidade de outrora na interpretação de Outra coisa (Gilberto Gil, Roberta Sá e Yuri Queiroga), uma das melhores músicas do álbum Giro, cujo repertório oscila ao mesmo tempo em que reafirma a grandeza singular da obra de Gil. Giro dá inegável prestígio a Roberta Sá no mercado fonográfico do Brasil. Intérprete de origem potiguar que se criou na cidade do Rio de Janeiro (RJ), Roberta é a primeira cantora a lançar um disco somente com músicas inéditas de Gil em projeto gravado com o aval do compositor. Além de assinar as 11 músicas, Gil toca violão em todas as faixas formatadas por Bem Gil, produtor do disco dedicado por Roberta à memória do jornalista Jorge Bastos Moreno (1954 – 2017), responsável por aproximar a cantora do compositor em festas e saraus realizados nos idos de 2016. Embora sempre singular, o violão de Gil nem sempre está evidenciado nos arranjos. Capa do álbum 'Giro', de Roberta Sá Arte de Bianca Ramoneda Com título que sugere a junção das iniciais dos nomes de Gil e Roberta, fusão acentuada pela graciosa arte criada por Bianca Ramoneda para a capa, o álbum Giro apresenta Roberta na mão de Gil, imersa no universo do compositor, como já sinalizara o single que emergiu em maio do ano passado, Afogamento (Gilberto Gil e Jorge Bastos Moreno, 2018), com a música então inédita gravada com as vozes dos dois artistas. A música Afogamento fecha o álbum Giro em gravação inédita, somente com a voz da cantora. Antes do fecho, o ouvinte se depara com nove músicas inéditas, já que a primeira parceria de Gil com Jorge Ben Jor em 44 anos – Ela diz que me ama, composta por incentivo de Roberta – a rigor já foi previamente lançada em 29 de março deste ano de 2019 como segundo single do álbum. Faixa equivocada para promover o disco, Ela diz que me ama mostra Jorge Ben Jor soando como clone dele mesmo em faixa que soa mais de Jorge do que de Gil, inclusive pelo arranjo excessivamente reverente (a Ben) do trombonista Marlon Sette. Gilberto Gil, Roberta Sá e Jorge Ben Jor se juntam na faixa 'Ela diz que me ama', uma das músicas mais fracas do disco Alice Venturi / Divulgação Gil contribui mais decisivamente para o bom resultado de Giro com outras músicas. Giro, o samba de roda que batiza e abre o disco, deixa Roberta à vontade na roda do compositor. As flautas e pífanos orquestrados por Jorge Continentino sopram influências da maestria de Dori Caymmi no universo musical da Bahia mencionada na letra. Roberta entra na roda com altivez potencializada na letra do samba O lenço e o lençol. "Sou quem sou, vou fazendo o que bem queira / Sem eira nem beira nem protocolo / Quem que me quiser que descubra a maneira / Não me bote no bolso e sim no colo", avisa Roberta. O lenço e o lençol é samba que, de início, parece que vai cair no suingue de sambas anteriores de Gil, como Amor até o fim (1966), mas logo se dobra ao clima de gafieira sugerido pelo sopro do trombone de Marlon Sette. Na sequência, o xote Cantando as horas – uma das quatro músicas assinadas por Gil com a própria Roberta Sá – se aninha, aconchegante, na chama da saudade do amor amado. O acordeom de Mestrinho demarca com maestria o território nordestino, invadido pelo toque incisivo da guitarra de Bem Gil. Roberta Sá rompe no álbum 'Giro' com a estética vocal de discos anteriores Nana Moraes / Divulgação / Facebook Roberta Sá Além de ter produzido o disco com modernidade, Bem é o parceiro de Gil e de Alberto Continentino em Nem, canção pouco expressiva no conjunto da obra apresentada no álbum Giro. Parceria de Roberta com Gil, Fogo de palha reacende a rítmica nordestina recorrente no repertório, na cadência de um xote que fala em xodó e em sanfona, instrumento ausente do arranjo em que sobressaem os assovios e a flauta de Milton Guedes. Fora da nação nordestina, Autorretratinho (Gilberto Gil) esculpe a letra poeticamente mais bem acabada do disco numa canção de sotaque universal que esboça certa densidade no arco autoral de Giro com sotaque universal. "Me atenho aqui a descrever meu rosto / Que o resto só com os olhos de um pintor / Suficientemente hábil de bom gosto / Pra retratar-me toda em toda cor", canta Roberta Sá. Roberta Sá é a primeira cantora a lançar um disco com músicas inéditas de Gilberto Gil Nana Moraes / Divulgação O colorido do Xote da modernidade (Gilberto Gil, Bem Gil e Roberta Sá) dá tons vivazes ao álbum no canto esperto de Roberta em música em que melodia e letra evoluem em simbiótica harmonia. Já o samba A vida de um casal (Gilberto Gil) discorre sobre o cotidiano dos apaixonados com afeto, mas sem açúcar, entre sopros do vibrafone de Lourenço Vasconcellos. "O casamento é vento que não para / Às vezes brisa leve e pouca mágoa / Às vezes tempestade em copo d'água", relativiza o poeta na letra da música cuja gravação culmina com o inusitado diálogo do flugelhorn de Diogo Gomes com a marcação lépida da bateria de Domenico Lancellotti. Entre sambas e xotes, Roberta Sá balança no rico universo musical de Gilberto Gil em álbum em que a cantora rompe com a estética vocal de discos anteriores. Em síntese, o giro pela obra de Gil soa ora belo, ora estranho, agregando status ao currículo da cantora sem jamais causar o arrebatamento de álbuns mais espontâneos de Roberta Sá. (Cotação: * * * 1/2) Editoria de Arte / G1